FOI DEMITIDA

Jornalista da Record acusa chefe de assédio sexual

Ela participou também de greve por melhores condições de trabalho e acusa emissora de represália; Record nega

Da Redação | 14/04/2017 16:19:17
Reprodução

Uma jornalista da RecordTV no Rio Grande do Sul relatou este mês um caso de assédio sexual que sofreu. "Decidimos fazer um dia de greve para chamar a atenção da chefia superior sobre os assédios moral, que todos sofrem, e até mesmo sexual, que eu sofri, naquela emissora. O resultado foi a demissão de apenas um dos chefes, o que me assediava sexualmente, a permanência da outra chefe, que pratica assédio moral com todos, e a demissão de oito funcionários, incluindo eu, que lutaram por melhorias nas condições e no ambiente de trabalho", postou a jornalista Elisângela Veiga, que foi demitida da Record no último dia 3.

Em outubro do ano passado, os jornalistas da emissora no estado fizeram uma greve pedindo melhores condições de trabalho. Elisângela estava entre os grevistas e diz que foi demitida por represália e que pretende processar a emissora por assédio sexual e moral.

Ao NaTelinha, ela contou detalhes. "Ele falou assim: 'Nossa, você sabe que você é linda, tu é gostosa, tu é sexy, quem aqui dentro não quer te comer? A TV inteira quer te comer, eu quero te comer. Tu sabe, não adianta ficar constrangida que você tá na lista das três mais gostosas dessa televisão'. Eu nunca imaginei ouvir isso de alguém, ainda mais de um chefe", disse ela, sem citar o nome do envolvido.

Leia o relato completo:

"O chefe que fazia isso conosco encarava como uma brincadeira, como normal falar um monte de besteira e tentar insinuar muitas coisas. Era horrível. Ele me prometeu sete vezes que eu seria promovida como repórter. Quando ele entrou na emissora, me chamou na sala dele e me perguntou quais eram meus objetivos. Então eu falei que tinha sido repórter em outro canal enquanto era estagiária e esse era meu desejo. Aí ele disse:"Eu tenho ótimas recomendações e eu quero te promover a repórter". Foi ele que me chamou, não foi eu que pedi. Então eu cheguei a escurecer o cabelo, emagrecer, comprar roupa, fui numa fonoaudióloga e fui treinando. Mas ele colocava outra de fora, promoveu um editor de imagem, promoveu outros colegas produtores e sempre tinha uma desculpa."São Paulo pediu um homem pra vaga, era para noite e podia ser perigoso, você tem rostinho de menina e não vai passar credibilidade, eles querem alguém mais experiente, você está fora do peso". As sete vagas que abriram ele foi me prometendo. Dava o doce e tirava.

Só que a primeira vez que ele foi oferecer essa vaga, foi a mais chocante de todas, nunca passei por isso. Eu me arrependo de não ter procurado a delegacia da mulher naquele dia. Ele falou assim:"Nossa, você sabe que você é linda, tu é gostosa, tu é sexy, quem aqui dentro não quer te comer? A TV inteira quer te comer, eu quero te comer. Tu sabe, não adianta ×car constrangida que você tá na lista das três mais gostosas dessa televisão". Eu nunca imaginei ouvir isso de alguém, ainda mais de um chefe.

Em reuniões de pauta, ele entrava na sala olhando diretamente para mim como se estivesse bêbado numa festa caçando uma mulher e falava:"Nossa, que cheiro e esse? Que perfume delicioso" e simplesmente cafungou no meu pescoço, na frente dos funcionários. Todo mundo achando normal:"É jeito dele, é brincadeirinha". Eram situações que ocorriam diariamente. Um dia ele veio em minha direção no corredor e me puxou pelo pescoço para me dar um beijo. Se eu não virasse, ele me beijava na boca. Era neste nível.

Na última vez, a sétima no caso que me prometeu a promoção, ele me disse:"Você poderia ser repórter há muito tempo. Tu sabe o que está faltando você fazer, né? Sabe muito bem". Eu estava tão chocada e fiquei com medo de perder o emprego. Ele usou meu sonho, por isso o assédio moral e o sexual no caso dele. Ele sabia que eu tinha um objetivo ali dentro, queria ser repórter e crescer. Eu ficava com medo de denunciar, eu pensava:"Como eu vou procurar uma delegacia da mulher? Eu posso sofrer represália, posso ser demitida".

Eu não contava nem para minha família, eu tinha vergonha, contava para algumas colegas. Mas ele tinha essa atitude de cheirar, dar um apertão e largar algo do tipo:"Você tá gostosa". Ele fazia com quase todas. Depois disso a Record chamou ele de volta para São Paulo e o demitiu em seguida. Hoje em dia ele está em outra emissora em São Paulo.

Enquanto eu sofria esses assédios, eu procurei por e-mail e depois pessoalmente um supervisor geral da RecordTV RS, chorando, e contei na sala dele exatamente tudo que se passava na redação e dei nomes. E o que aconteceu? Ele não fez absolutamente nada. No dia da greve, ele tentou me persuadir dizendo:"Eu resolvi seus problemas". Eu disse:"Me desculpe, você não resolveu meu problema. Um chefe foi demitido e outra está aqui".

Depois disso ele ficou com muita raiva de mim, até chegar o dia da minha demissão. Todos da Record sabiam disso, eu não tenho medo de nada. Sou de família humilde, trabalho desde os meus 18 anos e nunca tinha sido demitida. Apesar disso tudo eu não deixava atrapalhar meu desempenho na emissora.

Foram cinco longos anos de tormenta pura. Principalmente de assédio moral e sexual por parte de um chefe que nem trabalha mais na Record. Eu fui demitida segunda-feira (3). Estava no grupo da greve, eu e mais uma colega produtora que também foi demitida, foram as únicas que tiveram coragem de falar, então sofremos represália, nos demitiram.

Record se defende

Em nota, a RecordTV comentou as acusações e diz que todas as reivindicações levadas à diretoria pelos funcionários no ano passado foram atendidas. O diretor de jornalismo da RecordTV no Rio Grande do Sul, Rodrigo Falcão, negou que Elisângela tenha sido demitida por represália:"Apenas saliento que a saída da funcionária foi devido a uma reestruturação no setor e a vaga será preenchida por outro profissional".


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