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FEBRE AMARELA

15/03/2017 - 14:45:23
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Ministério da Saúde não foi informado sobre casos suspeitos no Rio

A Secretaria estadual de Saúde informa que os casos não foram notificados porque o Rio não está em situação de surto e porque usa critérios diferentes e mais abrangentes do que os adotados pelo ministério, mas que ainda assim “determinou, por conta própria, a intensificação da vigilância”.

Ministério da Saúde não foi informado sobre casos suspeitos no Rio Foto: Reprodução

 O Rio de Janeiro decidiu vacinar 12 milhões de seus 16,4 milhões de habitantes para se proteger da febre amarela que atinge Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, os três estados com os quais faz fronteira. Porém, os 38 casos — com uma morte, em Casimiro de Abreu — suspeitos da doença no estado não foram informados ao Ministério da Saúde. Eles não constam dos boletins nacionais de febre amarela, que monitoram a doença em todo o território nacional. A Secretaria estadual de Saúde informa que os casos não foram notificados porque o Rio não está em situação de surto e porque usa critérios diferentes e mais abrangentes do que os adotados pelo ministério, mas que ainda assim “determinou, por conta própria, a intensificação da vigilância".

A definição de caso suspeito, que está disponível no site do Ministério da Saúde, é “indivíduo com quadro febril agudo (até sete dias), de início súbito, acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, residente ou precedente de área de risco para febre amarela ou de locais com ocorrência de epizootias (doença) em primatas não humanos (macacos) ou isolamento de vírus vetores nos últimos 15 dias, não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado". Porém, o site do ministério destaca que “em situações de surto, recomenda-se adequar a definição de ocorrência suspeita, tornando-a mais sensível para detectar o maior número possível de casos, levando-se em conta o amplo espectro clínico da doença.”

Ser mais sensível na detecção é justamente o motivo que a secretaria estadual alega para ter orientado os municípios a notificarem os seguintes casos para notificação: “indivíduos com febre com até sete dias de duração, acompanhada de dois ou mais dos seguintes sinais e sintomas: cefaleia, mialgia, artralgia, vômitos, icterícia e manifestações hemorrágicas, residente ou procedente nos últimos 15 dias de áreas de transmissão de febre amarela.” O subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, diz que a não notificação ao ministério não traz problemas:

— A definição de caso do Ministério da Saúde pressupõe a presença de febre, acompanhada de manifestações já graves, como hemorragias ou comprometimento renal. E de pessoas que vieram de áreas de transmissão comprovada. Nós queremos pegar todos os casos aqui. Sinais e sintomas parecidos com dengue já estão sendo testados para febre amarela, então é normal que a gente receba muita notificação e descarte muitos casos. Alguns pacientes já foram descartados e outros ainda estão em análise laboratorial. Esperamos que até final desta semana tenhamos o resultado do restante — declarou.

A secretaria diz que “serão informados os casos que se adequarem à definição do ministério, ou que apresentarem resultado positivo".

O boletim do Ministério da Saúde inclui apenas casos do Rio, em que os infectados teriam contraído a doença em Minas Gerais, apontado como provável local de infecção. Mesmo assim, o dado não especifica quantas pessoas há nessa condição. Já a secretaria disse que o Rio informou ao Ministério da Saúde dois casos confirmados de febre amarela, porém, de pessoas que se contaminaram fora do estado. Chieppe observa que casos suspeitos registrados em Casimiro de Abreu, entre eles a morte de um morador da cidade, estão incluídos nesta estatística:

— Temos equipes investigando onde estas pessoas moravam e fazendo captura de mosquitos. Enquanto isso, aguardamos o resultado de exames laboratoriais.

 

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