Abalado e derrotado internamente, Maggi perde com denuncia de caixa 2 e propina da Odebrecht

| 18/04/2017 12:47:39

O ex-governador, senador e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP) está abalado, triste, revoltado e como ele mesmo disse a uma emissora de rádio de Cuiabá “derrotado internamente” após ter seu nome mencionado pelo engenheiro Pedro Leão, da Odebrecht, de ter recebido R$ 12 milhões de propina para o caixa 2 de sua campanha em 2006. Blairo nega veementemente.

 

Com as poucas provas que foram vazadas ou confirmadas nas gravações dos delatores Pedro Augusto Carneiro Leão Neto e João Antônio Pacífico Ferreira sobre as propinas destinadas a políticos de Mato Grosso não restaria dúvidas de que o ministro está envolvido até o pescoço neste escândalo. Não restaria, se não houvesse em meio a este recebimento o nome do ex-secretário de Fazenda de Maggi, Eder Moraes, já condenado a quase 100 anos de cadeia por envolvimento em tudo quanto é tipo de corrupção no Estado.

 

Os próprios delatores da Odebrecht, que tratavam das negociatas com Eder e que davam a Maggi o codinome de “Caldo”, admitem que nunca falaram com o então ex-governador sobre o assunto caixa 2 e propina. Citam na delação, claramente alias, que só conversavam com o então secretário de Fazenda Eder Moraes, que usou o nome de Maggi para pedir o dinheiro. “Claro que o Eder dizia para o Pedro Leão que o governador tinha conhecimento. No entanto, nunca esse assunto foi tratado com o Blairo. O que nós imaginamos é que um pagamento desse, num valor dessa magnitude, claro que se imaginava que ele teria conhecimento. Tudo leva a crer que havia esse conhecimento”, disse o delator.

 

Mas, em se tratando das artimanhas já demonstradas na Justiça contra Eder Moraes se faz aqui lançar algumas perguntas: Quem diz a verdade? Será que Eder teve a ousadia de arrancar R$ 12 milhões da Odebrecht sem que Maggi realmente soubesse? Como permaneceu tanto tempo no poder sem que ninguém e próprio Maggi, que o colocou no cargo, percebessem as falcatruas?

 

Os outros envolvidos pelos delatores “Cofrinho” (Edmilson dos Santos), “Careca” (João Virgílio) e “Manhoso” (Chico Lima), fizeram parte do governo Silval Barbosa (PMDB), preso por corrupção.

 

O certo é que a denuncia abala mesmo as pretensões de Blairo, que havia se fortalecido depois da Operação Carne Fraca para disputar a Presidência da República. Resta saber se vai abalar para um segundo mandato ao Senado. Afinal, quem fala a verdade?