CPI do Paletó

Brasil, país das contradições, pois, pessoas, instituições, poderes constituídos, enfim, a maioria deles, na tentativa de salvaguardar ou proteger seus aliados, seus pares, seus apaniguados; lançam mão, de estratégias pouco ortodoxas, e espúrias, na tentativa de burlar ou desviar o foco das questões emblemáticas e sintomáticas, única e exclusivamente, para proteger alguém. A tão falada e propalada democracia, tem como elemento norteador a vontade popular, por se tratar de um regime político em que a soberania é exercida pelo povo. Temos que levar em consideração, que é da essência da democracia que os Poderes interfiram uns nos outros, pondo em movimentação um sistema de freios e contrapesos concebido para moderar excessos e assegurar direitos. A tão propalada independência dos Podres não deve ser confundida com autonomia plena, na maioria das vezes isso acontece. Exemplo clássico disso acontece quando da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), referendada pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, delegando ao Poder Legislativo, a saber, as funções: legislativa, representativa e fiscalizadora das instâncias governamentais de um Poder. A criação de uma (CPI), está regulamentada no § 3º, do Art. 58 da Constituição.

Quando surgiram os vídeos comprometedores, em que parlamentares, apareceram recebendo dinheiro, supostamente proveniente de propina, aconteceu de imediato, espanto e perplexidade por parte da população cuiabana e mato-grossense. Esses vídeos, não só mostraram o recebimento de dinheiro, como também, caracterizam as zombarias e piadinhas feitas por alguns parlamentares com a cara do povo.

Seguindo o rumo dos acontecimentos, o vereador Marcelo Bussik (PSB), entrou com requerimento pedindo abertura da "CPI do Paletó", uma referência ao Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), flagrado nas imagens, recebendo dinheiro.

Dos 25 vereadores de Cuiabá, apenas 6 votaram a favor da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), foram eles: Abílio Júnior (PSC), Dilemário Alencar (Pros), Felipe Wellaton (PV), Gilberto Figueiredo (PSB), Marcelo Bussiki (PSB) e Sargento Joelson (PSC), obviamente, o número de assinaturas era insuficiente para realização da mesma, pois seriam necessários 1/3 dos votos dos membros da Câmara Municipal.

Depois, mais três vereadores assinaram o pedido de abertura da (CPI), foram eles: Sargento Elizeu (PSDC), Diego Guimarães (PP) e Toninho de Souza (PSD), que foi a nona assinatura; dessa forma, preenchendo os pré-requisitos para abertura da (CPI).

Posto isso, com a legitimidade da criação da (CPI), outros vereadores assinaram o pedido de (CPI), a situação em peso assinou; pessoas que anteriormente defendiam com unhas e dentes, a não realização da mesma. Como existem prerrogativas legais que permitem essas adesões, vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos, lembrando sempre, que a população está atenta a tudo.

A definição da escolha dos membros que irão nortear os trabalhos da referida (CPI), ficou assim definido: quem irá presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), será o vereador Marcelo Bussiki (PSB), o único remanescente dos 6 primeiros vereadores que deram início ao encaminhamento do pedido de abertura da (CPI), depois vem, Adevair Cabral (PSDB) e Mario Nadaf (PV) ambos relatores; uma comissão dessa envergadura tem que ter no mínimo equidade, para não dizer outra coisa.

Pare o mundo, quero descer!

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo (liciomalheiros@yahoo.com.br)