Todos pela Democracia!!!

Imagina a ansiedade neste momento de um ser humano que já sofreu preconceito por apenas existir. Sejam os homossexuais ou as pessoas que tenham a cor diferente. Seja um índio, um quilombola ou as comunidades tradicionais rurais na iminência de serem abandonadas pelo estado e expulsas de suas terras de origem, enfim, o povo que compõem a minoria deste país. Ou uma mulher, que já sofreu calada discriminação por ganhar menos que um homem quando desempenhava a mesma função na mesma empresa. Sejam os trabalhadores que, além de continuarem a suportar o peso da reforma trabalhista, podem perder ainda mais direitos. Imaginou?

 Imagina o temor dos professores das universidades públicas federais (e de seus alunos) que podem também perder a estabilidade funcional diante das propostas sectárias e privatistas que estão cada vez mais amedrontando os servidores da educação e demais setores públicos no país. Imagina o temor dos militantes ou não, que se identificam com as políticas igualitárias, ou mesmo os republicanos e os operadores jurídicos que defendem a Constituição de 88 e tudo que tem dentro dela, como os direitos fundamentais do cidadão. Mas, todos esses citados, infelizmente, tido como "comunistas vermelhos" na verborragia desses extremistas da direita ultraconservadora.

 Pois é... Esse clima pesado e intoxicante – que vem dividindo o país inteiro e separando grupos, parentes, amigos e até pais e filhos – tem sido fomentado justamente pelo discurso demagógico do candidato Jair Bolsonaro do (PSL). Imagina a mente das pessoas que têm parentes (ou elas mesmas) que já vivenciaram as torturas desencadeadas pelo regime ditatorial. Esses dias, em uma entrevista para TV Cultura, um ancião, que foi torturado durante a "época de chumbo", lembrou que muita gente não tem noção do que seja um regime autoritário, pois não sentiram na pele as garras da ditadura militar e os efeitos do ATO INSTITUCIONAL Nº 5, DE 13 DE DEZEMBRO DE 1968 que, para refrescar a memória do amigo leitor, trago alguns trechos à tona:

 "...O Presidente da República poderá decretar a intervenção nos estados e municípios, sem as limitações previstas na Constituição, suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais, e dá outras providências.

 

Art. 10 - Fica suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular.

Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos."

 Não obstante, narrar os fatos que advieram da "institucionalização" dessa medida totalitária seria desnecessário, pois existem milhares de testemunhas que sofreram violações às suas liberdades civis durante esse período arbitrário da política brasileira.

Contudo, uma coisa é criticar a esquerda "lulista" e fazer oposição às políticas petistas, agora ser a favor de uma ditadura (antidemocrática) e cair no obscurantismo político, é outra coisa: que se chama alienação sob os efeitos do discurso demagógico fascista. Hoje todos sabem que Bolsonaro e sua família de políticos deixaram bem claro, com suas afirmações truculentas, que a pretensão deles pelo poder está acima das instituições democráticas brasileiras, acima do Poder Judiciário, do Legislativo, do Executivo e dos demais órgãos desta República.

 Assim, diante de todas as falas, frases e palavras proferidas pelo clã do candidato nos últimos anos, qualquer pessoa lúcida e que preza pela racionalidade vai interpretar tudo isso como sendo um prefácio para a imposição de um regime autoritário. Que é contra os direitos humanos (civis, políticos e sociais). Que nunca vai permitir o exercício dos direitos republicanos, ou seja, a participação popular em uma demanda de reivindicação política.

 Isso porque sequer o dito cujo ainda começou a comandar o Executivo Federal. As ameaças à estabilidade democrática deste país já são um prenúncio de uma tragédia política anunciada. Quando se conjuga os discursos de ódio de Bolsonaro com o programa de governo dele, é nítida a impressão de que essa gente quer bloquear a livre manifestação de pensamento, a liberdade de expressão, enfim, estrangular a vida intelectual, moral e cultural do povo brasileiro com essa imposição de se generalizar uma educação militar obrigatória para todos.

 Ou seja, é possível entender diante das acusações frenéticas de Bolsonaro contra as minorias e contra os seus opositores, que ele pode a vir, seja direta ou indiretamente, cassar o direito de opinião política e ideológica do cidadão, bem como a liberdade de imprensa – mesmo que seja apenas usando da influência estatal para isso - para impedir que a sociedade possa receber informações sobre os fatos políticos que ocorrem nos bastidores do poder. Contudo, a impressão maior é que eles querem derrubar todas as virtudes democráticas que o país já conquistou até aqui através da Constituinte de 1988, pois o lema obscuro (que soa nos discursos deles) é a militarização do Estado Brasileiro por inteiro pelo viés autoritário e fascista.

 Portanto, para evitar o controle descomedido e alienado da existência das pessoas, bem como para evitar os ataques sanguinolentos à dignidade do cidadão, e, em nome da diversidade de pensamento, da livre opinião política, da cidadania do povo brasileiro, da pátria democrática, da Constituição Federal de 88...peço, com todas as vênias possíveis e com o maior respeito que tenho pelos leitores... que digam não ao fascismo velado e autodestrutivo do candidato Bolsonaro. E optem pela continuidade da Democracia neste país.

 "Quem salva uma vida salva o mundo inteiro", como bem disse um professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) esses dias atrás, que teve a coragem e a dignidade de ir debater propostas para o futuro do Brasil na TV.

 

Marcelo Ferraz é jornalista e escritor.