Fissura anal: saiba como identificar e tratar

 

Uma doença que poucos conhecem, muito em função da vergonha em falar sobre o assunto, a fissura anal é um mal que pode atingir qualquer pessoa, homens, mulheres e crianças a qualquer momento da vida. As estatísticas sobre a doença são desconhecidas, principalmente devido à procura tardia por ajuda de um médico proctologista, especialista no assunto, e receio sobre a realização do exame.

A falta de dialogo a cerca do tema costuma deixar os afetados pela doença pensarem que são os únicos afetados. Mas na verdade, essa situação potencialmente dolorosa e que afeta diretamente a qualidade de vida dos acometidos pela doença é bastante comum.

O problema também acontece na identificação da doença, isso por que a fissura anal é confundida muitas vezes com a doença hemorroidária. A fissura anal é uma pequena ferida que surge no ânus, como uma espécie de corte que se situa logo na entrada do orifício e que causa sintomas como dor, desconforto, pequenos sangramentos e ardência ao defecar.

Se você já notou sangue claro no papel higiênico ou no vaso sanitário após uma evacuação, existe uma boa chance de se tratar de uma pequena fissura no ânus. Essas lacerações costumam ser confundidas com hemorroidas que, ao contrário das fissuras, não causam dor à evacuação.

Geralmente, este tipo de fissura é causado pela passagem de fezes muito secas e duras, que dilatam o esfíncter, provocando a lesão. No entanto, outros problemas como prisão de ventre, diarreia intensa, contato íntimo na região anal, herpes genital ou hemorroidas também podem levar ao desenvolvimento de uma fissura.

Existem duas formas de a doença se manifestar, a fissura anal aguda ou crônica. Na forma aguda o "corte" tende a ser superficial, com bordos sem fibrose, normalmente com menor tempo de evolução que pode se resolver em seis semanas com tratamento conservativo local. Já a fissura anal crônica: a ferida torna-se uma úlcera facilmente reconhecível pelo médico especialista, com fibrose e endurecimento dos bordos, que pode exigir uma abordagem cirúrgica.

Na sua maioria as fissuras anais são causadas principalmente por traumatismos, mas existem outras causas possíveis, entre as quais se incluem o cancro retal, a doença de Crohn, a leucemia e diversas doenças infecciosas de origem bacteriana e viral.

Em cerca de 80% a 90% dos casos as fissuras agudas podem ser objetos apenas de um tratamento médico, já no caso de fissuras crônicas, estima-se que em apenas 40% dos casos este tratamento tenha sucesso. Quando as fissuras não respondem ao tratamento médico, mantendo-se a dor e/ou hemorragia, bem como de fissuras recorrentes deve ser considerada a realização de um tratamento cirúrgico. A escolha da melhor opção deverá ser avaliada pelo seu médico proctologista.

A fissura anal pode ser evitada tomando medidas simples no dia a dia. A ingestão de mais fibras na alimentação, por exemplo, pode ajudar. Isso porque são elas as responsáveis pela formação do bolo fecal, que facilitam o trânsito dos alimentos no intestino.

Beber bastante água todos os dias é essencial, pois ela se mistura às fibras e fazem as fezes ficarem mais volumosas e pastosas, impedindo o ressecamento. Com isso, o efeito das fibras sobre o movimento intestinal se torna mais eficaz.

Mardem Machado é proctologista e diretor clínico do Instituto de Gastroenterologia e Proctologia Avançado (IGPA)


Mais de Marden Machado