Mãe de blogueira que tirou a própria vida desabafa no Encontro com Fátima Bernardes

Rafael Campos | 17/07/2019 11:00:47

Reprodução

A mãe da blogueira Alinne Araújo esteve no palco do Encontro desta quarta-feira (17/07/2019) para desabafar sobre a perda trágica da filha. A jovem tirou a própria vida na tarde da última segunda-feira (15/07), depois de casar-se consigo mesma após ser abandonada pelo noivo um dia antes do casamento.

Elizabeth Araújo contou sobre os momentos anteriores ao suicídio. Ela explicou ter ficado ao lado de Alinne durante todos os momentos que sucederam a cerimônia. “Eu estava deitada de um lado e ela deitada de outro [do sofá]. Foi no momento em que cochilei, ela foi para o quarto e se jogou da janela”, disse.

Além da mãe, uma tia de Alinne, Sayonara, também fez relatos sobre as batalhas sofridas pela família na luta contra a depressão e a ansiedade sofridas pela jovem. “Ela se tratava com psicólogo e psiquiatra, mas vem sofrendo com depressão desde a adolescência. A Alinne estava fazendo psicologia porque queria entender a mente humana”.

Sayonara contou que a repercussão do casamento deixou a blogueira assustada: da noite para o dia, ela saiu de 26 mil seguidores para as centenas de milhares. “Ela não estava pronta para a quantidade de críticas”, afirmou, completando que irá apagar todas as redes sociais da sobrinha.

Elizabeth frisou que, mesmo entendendo que a filha estava se casando consigo mesma para tentar começar uma nova fase, temia pelas consequências. “Alinne me dizia: ‘Meu mundo acabou’. Eu falava que não, que ela era jovem. Fiz que não entendi”, falou. “Mas meu mundo acabou. Minha filha era uma joia rara”.

Casamento

No domingo (14/07/2019), Alinne se casaria com Orlando Costa, mas foi informada por ele um dia antes, por meio de mensagem no WhatsApp, que o relacionamento havia acabado. Em publicações no Instagram, a blogueira comentou sobre a dor que passava e a decisão de manter a festa, celebrando a vida. Alinne Araújo usava as redes sociais para falar sobre como enfrentava a depressão e a ansiedade.

“Vocês sabem a dor de confiar em alguém cegamente e achar que encontrou o companheiro da vida e, um dia antes da celebração do amor de vocês, a pessoa some. Manda uma mensagem pelo WhatsApp e termina todos os sonhos de vocês. Fui pega de surpresa, quis morrer. Ele sempre soube da minha condição e não se importou em como eu estaria. Eu recebi a notícia [quando] estava dirigindo, tive uma crise no volante. Poderia ficar aqui chorando, mas tem uma festa linda me esperando, então hoje caso comigo mesmo em nome da minha vida nova. Me desejem sorte. Amo vocês”, escreveu em um post.

Busque ajuda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o assunto não venha a público com frequência, para que o ato não seja estimulado. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e o uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode te ajudar. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

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Jornalista: Rafael Campos