Segunda temporada é ainda mais sombria, diz protagonista de "Barry"

iG São Paulo | 21/04/2019 06:35:07

Bill Hader, protagonista de "Barry" fala sobre o sucesso da série da HBO, que mostra um assassino profissional que tenta mudar de ramo e virar ator

Melhor comédia de 2018 na TV americana, “Barry” já está de volta ao ar na HBO, nos domingos às 23h, com sua segunda temporada. Na trama, um assassino profissional vai fazer um serviço em Los Angeles e acaba tomando gosto por aulas de atuação.

Matriculado na turma de Gene Cousineau (o excelente Henry Winnkler), o protagonista tenta se conectar consigo mesmo e com outros. “Algo que é bem difícil”, observa Bill Hader, que dá vida a Barry, em entrevista cedida com exclusividade ao iG.

Durante toda a primeira temporada observamos o protagonista às voltas com a tentativa de se desvencilhar da figura de ser um assassino, “mas no fim do primeiro ciclo ele mata em seu próprio benefício. Não era um contrato. Então a questão que acompanha essa nova temporada é ‘eu posso mudar minha natureza?’”, observa Bill Hader destacando que não é uma questão que assole apenas seu personagem."É definitivamente um ano mais sombrio".

O ator acredita que seu personagem enxerga nas aulas de atuação uma maneira de se reconciliar consigo mesmo. “Olhe, eu tenho 40 anos e meus amigos também estão com essa idade e frequentemente nos pegamos fazendo as mesmas coisas que fazíamos aos 15. Você pode ter problemas com comida, bebida ou simplesmente mentir muito e pensa ‘eu já deveria ter superado essa fase antes’. Imagine o quão horrível se sua versão disso é matar pessoas”.

Hader admite ter se surpreendido com o sucesso da série. Inclusive o Emmy de melhor ator em comédia que ganhou ano passado o pegou de surpresa. “Eu pensava que ia para Donald (Glover de “Atlanta”) ou Ted Danson (“The Good Place”)”.

Ele comenta que desistiu de tentar antecipar o que vai funcionar ou não junto ao público e a crítica e aponta alguns quadros do “Saturday Night Live” que desenvolvia com afeto e que flopavam, enquanto outros em que atuava sem grandes expectativas repercutiam tremendamente. “Hoje eu tento apenas me cercar de talentos, de pessoas mais criativas e inteligentes do que eu e fazer o melhor possível”.

No entanto, nas primeiras conversas com Alec Berg, o criador e showrunner da série, foi de Hader a sugestão decisiva para tornar a série tão elemental e singular. A ideia já era desenvolver um show ambientado em Los Angeles e com aulas de atuação, mas “faltava uma propulsão”, observa o ator. “Os shows que eu mais gosto, ‘Breaking Bad’, ‘The Sopranos,’Game of Thrones’, ‘The Americans’, todos têm personagens fascinantes, mas também algo pelo que esperar no futuro”.

Hader e Berg queriam isso, mas dentro de um contexto cômico. “E se ele fosse um assassino profissional”?, perguntou o ator para Berg que retrucou que não gostava da ideia por haver mais assassinos profissionais nos filmes do que na vida real. Mas Hader não se deu por vencido. “Mas e se fosse eu, o estranho Bill, mas como um assassino”. Berg gostou da ideia e viu que havia um poderoso elemento cômico ali.

Quem assiste a “Barry” sabe que a comédia se manifesta de maneira inteligente, difusa e frequentemente chocante, mas que o programa não deixa de ser sombrio e profundamente dramático de quando em quando, afinal, fala-se de um assassino profissional em crise existencial. “Esse é o prazer de fazer algo na HBO, você pode explorar as coisas”.

Fonte: IG Gente