"Um banho de Vida" põe estereótipo de masculinidade no divã

IG Gente | 25/03/2019 14:50:05

Além de marcar a estreia na direção de Gilles Lellouche, "Um banho de Vida" traz a inversão dos papeis geralmente impostos à sociedade; veja a crítica

Existe uma espécie de clube do bolinha no cinema francês contemporâneo que envolve alguns dos principais atores daquele país. Guillaume Canet, Jean Dujardin, Mathieu Amalric e Gilles Lellouche estão frequentemente atuando nos filmes um dos outros. “Um Banho de Vida” marca a estreia na direção do último e conta com Canet e Amalric como protagonistas.

“Um Banho de Vida” bebe da fonte do eterno “Ou Tudo ou Nada”, comédia britânica que concorreu ao Oscar em 1998, em que quarentões desempregados viravam strippers. Substitua o strip-tease pelo nado sincronizado e voilà.

Para além dos talentos que dispõe, Lellouche se mostra um bom diretor de atores, mas seu filme se leva mais a sério do que precisaria e também é mais esticado do que os conflitos articulados dão conta.

Uma das boas ideias do longa é a inversão dos papeis geralmente impostos à sociedade. Aqui são os homens, todos empresários com dificuldade, que frustrados procuram uma atividade, um hobby, para que possam desafogar, e mulheres que se impõem dentro da realidade familiar e profissional e não transparecem qualquer hesitação. É um jogo de cena interessante para que Lellouche investigue essa masculinidade frágil que não mais precisa ser tratada como tabu.

O tom fabular de “Um Banho de Vida” leva a um final um tanto inverossímil, ainda que concatenado com as ideias arejadas pela realização, que tem no trabalho do elenco o seu maior chamariz. 

Fonte: IG Gente