FOI LONGE

Violonista que passou pela UFMT vai tocar em Londres

Redação 24 Horas News / G1 | 23/06/2019 18:24:16

Guido Sant’Anna é o primeiro latino-americano a ser chamado para participar da Competição Menuhin

Foto: Vivian Oswald/RFI

O jovem violinista Guido Sant’Anna, que já tocou como solista Brasil afora com a Camerata UFMT, Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Johann Sebastian Rio, Camerata Sesi, de Vitória, Orquestra do Festival Virtuosi, em Pernambuco, e Orquestra Ulbra, no Rio Grande do Sul, é o primeiro latino-americano a ser chamado para participar da Competição Menuhin, em Londres, a mais prestigiosa premiação do mundo para violinistas. Ele foi um dos seis finalistas entre 317 músicos, de 51 nacionalidades.

O brasileiro de apenas 13 anos impressionou o júri de músicos profissionais. E ainda foi escolhido o mais talentoso pelo público pela internet. O encantamento foi tal que se resolveu que, justamente pelo potencial de uma das maiores promessas brasileiras para o mundo da música, o garoto precisava de um violino novo.

Não propriamente novo, mas um instrumento que seja capaz de alça-lo ao Olimpo musical. Ele vinha usando instrumentos emprestados pela professora. O que tem agora é um violino para chamar de seu. Trata-se de um Cremona de 1833. Não é dado, mas emprestado pelo tempo que estiver disposto a guardá-lo.

De origem simples, Guido tem bolsa integral para estudar na escola americana em São Paulo, e tem também uma bolsa de um mecenas estrangeiro misterioso que não quer ser identificado. É ele que paga as aulas com a professora Elisa Fukuda, seus deslocamentos para concursos e até uma parte do aluguel da casa para onde o menino e família se mudaram para estarem mais perto dos estudos.

Sonho de família

A mãe, Glauce Sant’Anna, que está sempre ao seu lado, conta que precisa ficar em cima para que ele estude. O sonho do violino é dela também. Filha de pianista, ela fez questão de aprender um pouco de violino para ensinar aos três filhos. O mais jovem sobressaiu. E, desde os cinco anos, quando começou a tocar, parece se transformar com o instrumento na mão. Perde o jeito de menino e vira música. “Com cinco anos era só brincadeirinha. Você se desenvolve ao longo dos anos que você toca, faz apresentação e, aos poucos, você sabe que é a sua coisa mesmo”, diz Guido.

Gordon Black diz ao público que, se fechar os olhos, já não escuta uma criança. Afirma que ele poderia ser até mesmo Yehudi Menuhin, considerado um dos maiores violinistas do século XX, que era americano, mas passou a maior parte da carreira no Reino Unido.

Guido nunca estudou teoria musical formalmente. Mas a sua relação com o violino parece natural. Ele diz que não sabe bem ainda o que pretende fazer da vida. Mas está muito claro que o seu futuro é o violino.