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Cristiane brinca sobre como ganhar ouro inédito na Copa: 'Carrinho e porrada'

Jornalista Jonas Jozino | 21/05/2019 11:00:51

Contratada pelo São Paulo no início da temporada, Cris ficou pouquíssimos minutos em campo pelo clube: apenas um tempo na vitória sobre o Inter de Franca, no dia 31 de março.

A experiente Cristiane já avisou que a Copa do Mundo da França deve ser a última de sua carreira. E ela quase ficou fora: vítima de recorrentes lesões nos últimos meses, a camisa 11 teve que correr contra o tempo para ficar 100% e entrar na lista de Vadão. Na sexta, após o último treino aberto para a imprensa antes do embarque para Portugal — onde a equipe fará a reta final da preparação —, a jogadora falou sobre como manteve a mente tranquila enquanto trabalhava duro para recuperar o corpo.

“Foi um período muito difícil. Toda vez eu ia, lesionava de novo e voltava 20 passos para trás [na recuperação]. Fiquei com aquela sensação, 'caramba, será que eu vou conseguir, será que vai dar tempo?’. É minha última Copa e veio lesão atrás de lesão. São coisas que fogem do controle do atleta, mas infelizmente a gente acaba tendo esses problemas pelo caminho”, contou Cristiane. “Aí chegou o ponto que eu falei: ‘agora vai ou vai’.”

“A comissão foi muito clara com a gente. Falaram ‘olha, a gente vai tentar, mas quem realmente não tiver condições realmente não dá para ir’. E é o certo, não dá para ir meia boca para uma Copa do Mundo, você precisa de todas as atletas 100%. Então consegui correr atrás, me dediquei bastante, coloquei a cabeça no lugar e deu tudo certo”, acrescentou a jogadora.

Contratada pelo São Paulo no início da temporada, Cris ficou pouquíssimos minutos em campo pelo clube: apenas um tempo na vitória sobre o Inter de Franca, no dia 31 de março. Depois disso, a jogadora seria desfalque o time para defender a seleção brasileira nos amistosos contra Espanha e Escócia, no início de abril, mas acabou cortada por questões físicas.

E de 23 de abril até sábado passado ela ficou reunida com a comissão técnica em Itu para focar na recuperação física. Também participaram dos treinos específicos a atacante Bia Zaneratto, que fraturou a fíbula e se recuperou dois dias antes da convocação, e as zagueiras Bruna Benites e Rafaelle, que ficaram fora da lista.

“Quem acompanha sabe que praticamente não participei de jogos, mas o professor [Vadão] tem total confiança no meu trabalho, me conhece faz tempo e sabe no que posso contribuir no grupo, tanto dentro de campo quanto fora dele, com experiência”, contou a jogadora, que está a caminho de seu quinto Mundial e promete passar a experiência acumulada ao longo dos anos para o grupo, principalmente para as oito jogadoras que nunca disputaram a competição.

“Quero empolgar todo mundo, né? Viemos de derrotas, então é preciso dar aquele chacoalhão que é responsabilidade das mais velhas. Temos que passar confiança para meninas. ‘Primeira vez, tem nervosismo e cobrança, sei como é, já participei antes”, disse a atacante. “Mas quando entra dentro de campo tem que deixar isso de lado, senão atrapalha. Então é tentar fazer o grupo ficar realmente na pegada de Copa. Porque lá tudo muda. É importante passar tranquilidade, mas também a importância, porque não dá para entrar dormindo em uma Copa.”

O Mundial da França será também a última chance da camisa 11 conquistar o ouro inédito ao lado das parceiras de longa data, Marta e Formiga. O prestigiado trio bateu na trave com a prata em 2007, mas como brincou Cristiane, na última é quase um "vale tudo”.