Doping de campeões mancha esporte, mas enaltece esforço do UFC

Ig Esportes | 22/03/2019 08:20:03

A USADA já puniu 65 lutadores desde o início da parceria com o UFC

O mundo do MMA acordou com uma notícia bombástica na última quarta-feira (20): TJ Dillashaw, campeão peso-galo (61 kg) do UFC, anunciou que foi pego no exame antidoping. TJ é mais um lutador de ponta a ser derrubado pela USADA (agência antidoping americana), que iniciou uma parceria com o Ultimate em 2015 e, desde então, já fez quase 10 mil testes contra dopagem nos atletas da organização.

Mas TJ, que foi nocauteado em 32 segundos por Henry Cejudo um dia depois do exame ser coletado no UFC, não foi o único lutador de ponta a cair na rede da USADA.

Jon Jones foi derrubado duas vezes pelo controle da entidade, que identificou substâncias proibidas em testes realizados em 2016, em 2017 e 2018 – embora neste último caso a agência tenha ido a público garantir que não tenha se tratado de uma nova utilização da substância turinabol, mas de resquícios dela.

Fato é que ninguém parece imune ao sistema contra trapaça que a USADA e o UFC montaram. A entidade já puniu 65 lutadores desde o início da parceria – o que, a curto prazo, joga contra o Ultimate, mas fortalece o esporte a médio e longo prazo.

É óbvio que os flagras de lutadores como TJ, Jones, Lyoto Machida, Yoel Romero, Anderson Silva e Fabrício Werdum mancha não só as suas próprias carreiras, como também a imagem do esporte que eles praticam.

No entanto, apesar de o UFC ser apenas um dos muitos eventos de MMA pelo mundo, é nele que se concentra praticamente toda a atenção midiática e de público nos grandes centros.

Assim, ainda que as descobertas de doping frequentemente atrapalhem os planos do Ultimate e causem prejuízos – em dezembro, um evento teve de ser mudado de sede com uma semana de antecedência para abrigar Jon Jones –, não há por que lamentar o pente fino aplicado pela USADA.

Afinal, o esporte, qualquer um deles, visa à competição justa e dentro das regras. E numa modalidade como o MMA, em que golpes causam lesões e traumas com consequências que podem perdurar uma vida inteira, é ainda mais necessária a igualdade de condições – mesmo que isso seja utópico.

A longo prazo, reforçar o MMA como um esporte que de fato fiscaliza o doping coloca o esporte à frente de outras modalidades que tiveram sua história maculada por escândalos.

O ciclismo jamais será o mesmo após o caso Lance Armstrong.

Depois do esquema governamental de dopagem na Rússia – que rendeu até um Oscar ao filme Ícaro, de 2017 –, nunca mais atletas olímpicos daquele país serão olhados como iguais perante seus adversários.

Como toda entidade esportiva poderosa, o UFC também tem defeitos e atitudes questionáveis, mas, neste caso, faz um serviço ao MMA a cada suspensão aplicada às suas estrelas dopadas.