MÚMIA ESTILOSA

Arqueólogos restauram múmia fashion de 1.100 anos

Jornalista Jonas Jozino | 19/04/2017 08:56:14

Corpo encontrado em 2016 no topo das Montanhas Altai, na Mongólia, a mais de 2.800 metros, foi restaurado e o seu “look” chamou a atenção

Um tênis “moderno”, uma bolsa, uma faca, um espelho, um pente, uma sela e pedaços de um cavalo. Foi com esses pertences que uma mulher foi enterrada há 1.100 anos. A múmia encontrada em abril de 2016 no topo das Montanhas Altai, na Mongólia, a mais de 2.800 metros, foi restaurada e o seu “look” foi o que mais chamou a atenção dos arqueólogos.

De acordo com o jornal “The Siberian Times”, quando a múmia foi vista pela primeira vez, seu “tênis” foi comparado ao design da Adidas. Agora, sua aparência moderna é ainda mais clara e intriga arqueólogos e etnógrafos. A restauração do objeto revelou que os calçados eram, na verdade, um par de botas de feltro de cano alto, listradas em preto e vermelho, com solas de couro e fivelas decorativas. Um especialista em moda da região disse ao “The Siberian Times” que apesar de “excêntricas”, as botas são elegantes. “Não me importaria de vesti-las agora em um clima mais frio”, brincou.

"Quando o achado se tornou público, as botas foram comparadas aos tênis Adidas. Nesse sentido, eles são um objeto de estudo interessante para os etnógrafos, especialmente porque o estilo é muito moderno", explicou o diretor do Centro de Patrimônio Cultural da Mongólia, Galbadrakh Enkhbat.

Causa da morte

Durante a restauração, os cientistas descobriram que a mulher sofreu uma lesão significativa na cabeça, mas não é possível afirmar que essa seja a verdadeira causa da morte, que ocorreu em meados do século X. Os estudos ainda não identificaram também se ela foi atacada ou caiu, embora outras pesquisas possam responder isso. Acredita-se também que o corpo tenha entre 30 e 40 anos.

“Vários utensílios de costura foram encontrados com ela. Este é apenas o nosso palpite, mas achamos que ela poderia ter sido uma costureira”, afirmou o diretor do Centro de Patrimônio Cultural da Mongólia. Acredita-se que a mulher seja de origem turca e o enterro é um dos mais completos já encontrados.

"Como a sepultura foi enterrada em um ambiente frio, tecido e feltro não sofreram uma reação biológica", disse Galbadrakh Enkhbat. "Se tivessem sido enterrados no solo, nada teria permanecido." A múmia está sendo exibida no Museu Nacional da Mongólia.