Bolsonaro diz que "casamento" com Guedes "segue mais forte que nunca"

Otávio Augusto | 25/05/2019 08:05:11

Após declarações atravessadas, presidente culpa a imprensa por mal-estar no governo. Ainda defende a aprovação da reforma da Previdência

Michael Melo/Metrópoles

Com a reforma da Previdência enfrentado dificuldades, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) busca costurar alianças no Congresso para que as mudanças na aposentadoria passem com tranquilidade e poucas alteração no texto original. O ministro da Economia, Paulo Guedes, que está à frente do processo, ameaça deixar o governo se tudo não sair como planejado. Para Bolsonaro, ninguém é obrigado a ficar na Esplanada dos Ministérios.

Apesar de o clima ter ficado tensionado entre Bolsonaro e Guedes nessa sexta-feira (24/05/2019), o chefe do Palácio do Planalto afastou qualquer ruptura e culpou a imprensa pelo mal-estar. “Peço desculpas por frustrar a tentativa de parte da mídia de criar um virtual atrito entre eu e Paulo Guedes”, escreveu no Twitter.

O presidente ainda ironizou os entraves enfrentados pelo governo. “Nosso casamento segue mais forte que nunca. No mais, caso não aprovemos a Previdência, creio que deva trocar o ministro da Economia pelo da Alquimia, só assim resolve”, concluiu.

Em visita a Petrolina (PE), Bolsonaro afirmou que Paulo Guedes deveria ir embora para a praia, caso o Congresso aprove uma “reforma de japonês”.

O maior desgaste entre governo e parlamentares é a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — pago a idosos e deficientes carentes. A equipe econômica mantém a expectativa economizar R$ 1 trilhão em 10 anos.

Guedes ameaçou deixar o governo de Bolsonaro caso a reforma seja apequenada. “Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse, em entrevista à revista Veja nesta sexta-feira. “Se só eu quero a reforma, vou embora para casa”, completou.

Bolsonaro rebateu. “Paulo Guedes está no direito dele. Ninguém é obrigado a ficar como ministro meu”, disparou o titular do Palácio do Planalto. E, na linha defendida por seu ministro da Economia, voltou a dizer que sem a reforma previdenciária “será o caos na economia”.

Jornalista: Otávio Augusto