SEGURANÇA NO BUSÃO

Defensoria realiza pesquisa para criação de ferramenta em aplicativo para denúncia de casos assédio sexual no transporte público

Jornalista Jonas Jozino | 12/09/2019 06:38:39

98% das entrevistadas afirmaram já ter sofrido assédio sexual em ônibus e estações de transporte coletivo em Cuiabá

A ação faz parte da iniciativa da Defensoria para a criação de uma ferramenta no aplicativo Meu Ônibus MTU, da Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU), para a denúncia de casos de importunação sexual no transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande.

O intuito é fazer com que as forças policiais tenham acesso, em tempo real, às denúncias de assédio sexual e possam até solicitar ao motorista do coletivo que pare o veículo para que seja averiguada a situação.

 

Segundo a defensora pública Rosana Leite, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) de Cuiabá, o objetivo da pesquisa foi conhecer a situação mais de perto. "Foi quase unânime que os assédios e importunações sexuais contra mulheres acontecem cotidianamente", relatou.

Todas as entrevistadas, na faixa dos 15 aos 54 anos, afirmaram que já presenciaram cenas de assédio sexual dentro dos ônibus, nas paradas ou estações de transporte público na capital. Além disso, 100% dessas mulheres disseram que fariam a denúncia caso vissem alguém passar por essa situação.

 

"Averiguamos o desrespeito, as humilhações e agressões às quais o gênero feminino se encontra exposto todos os dias. As importunações e assédios podem acontecer contra os dois gêneros. Entretanto, mais de 90% dos casos ocorrem contra as mulheres", afirmou a defensora.

Atualmente, apenas 50% das entrevistadas informaram ter o aplicativo Meu Ônibus MTU, disponível gratuitamente para download na Play Store (Android) e App Store (iOS), instalado no celular. Por outro lado, 100% confirmaram que baixariam o aplicativo se houvesse essa ferramenta de denúncia contra o assédio sexual. O levantamento também contou com a colaboração de Larissa Arruda Pinho, gerente de contratos da DPMT.

 

"O papel da Defensoria Pública, além da divulgação dos direitos do gênero feminino à sociedade, será o de acolhimento e acompanhamento processual das vítimas. A mulher vítima de violência sexual possui muito temor em buscar ajuda pelo julgamento ao qual sempre foi exposta. Estamos na quarta onda feminista no Brasil, onde as mulheres firmaram a intolerância quanto ao desrespeito ao corpo. O corpo da mulher a pertence e deve ser respeitado. A aproximação só deve acontecer com o consentimento da mulher", concluiu Rosana.

Nesta quinta-feira (12), ocorrerá uma reunião na sede da Defensoria com representantes da MTU e do Ciosp, incluindo técnicos de Tecnologia de Informação (TI), para discutir a criação do botão de denúncia para combater os casos de importunação sexual em Cuiabá e Várzea Grande.

 

Parceria - Esse encontro visa dar prosseguimento ao termo de cooperação técnica firmado no dia 10 de julho, na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), em que a Defensoria, a MTU e o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) discutiram medidas para combater o assédio sexual no transporte público na capital, tais como a disponibilização das imagens, em tempo real, dos ônibus e terminais ao Ciosp e a criação de uma função no aplicativo Meu Ônibus MTU para a denúncia de casos de importunação sexual.

Leia mais: http://www.defensoriapublica.mt.gov.br/-/12211741-defensoria-e-ciosp-discutem-medidas-para-combater-assedio-sexual-no-transporte-publico-em-cuiaba-e-vg

 

Botão "Nina" - A iniciativa em Mato Grosso foi inspirada no botão virtual "Nina", integrado ao aplicativo Meu Ônibus Fortaleza. Foram registradas 930 denúncias de assédio a mulheres no transporte coletivo na capital do Ceará em menos de 4 meses – de 6 de março a 26 de junho deste ano.

A ferramenta permite a coleta de vídeos internos do transporte público para facilitar a identificação e a punição dos agressores. De acordo com a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), 56% dos assédios ocorreram dentro dos veículos, 26% em paradas e 16% em algum dos sete terminais de ônibus.

Ademais, 54% foram relatados por quem sofreu o assédio, todas mulheres, e 52% por quem presenciou as agressões. De acordo com a Secretaria, as queixas ocorreram, principalmente, entre as 12h e as 21h, sendo o pico às 20h.