Doleiro diz que JBS fez doações a políticos de MT em troca de isenção de impostos

Ianara Garcia | 20/09/2019 15:25:40

Lúcio Funaro prestou depoimento à CPI da Sonegação Fiscal, na Assembleia Legislativa. A sessão ocorreu a portas fechadas, o que causou surpresa ao próprio convidado.

Foto: TVCA

O doleiro Lúcio Funaro, convidado a prestar esclarecimentos nessa quinta-feira (19) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, chegou no horário marcado, mas os deputados Dilmar Dal Bosco, Janaina Riva e Ondanir Bortolini, o Nininho, que são membros da CPI, pediram que a sessão fosse só entre o doleiro e os parlamentares. O pedido gerou discussão.

“A proposta de sessão secreta foi majoritária, por 3 votos a 1, meu voto foi contra, e então nós vamos fazer a sessão secreta”, disse Wilson Santos, presidente da CPI.

O sigilo da sessão causou surpresa até para o próprio doleiro.

“Se eu tivesse mandato de deputado, eu gostaria que tivesse no Brasil o estado democrático de direito e acho que a população tem que ter acesso a todo tipo de informação”, disse Funaro.

A sessão foi realizada na sala do Colégio de Líderes, na presidência da Assembleia. Os deputados que pediram que a sessão fosse secreta, não falaram com a impressa. Funaro foi convidado pela CPI da Assembleia Legislativa de Mato Grosso porque em outra CPI, na Câmara dos Deputados, em Brasília, citou envolvimento de um empresário e políticos de Mato Grosso em esquema de sonegação de impostos e concessão de crédito fiscal no estado.

Na CPI do BNDES no mês passado o doleiro afirmou que o empresário Joesley Batista, dono da JBS, poupou o primo dele, o empresário Fernando Mendonça, na delação premiada firmada com a Procuradoria Geral da República. Segundo Funaro, Fernando Mendonça, além de primo de Joesley Batista, também seria operador dele em esquemas ilegais no estado, como sonegação de ICMS da JBS em troca de pagamento de propina a políticos de Mato Grosso.

 

“Eu acho que um sujeito que foi pego em uma gravação e que todos tiveram acesso, tratando o Judiciário naqueles termos, os deputados naqueles termos, amigos, porque a gente se considerava amigo, nos termos que ele tratou, já deu prova que a JBS, não é questão nem de quadrilha, ali é facção criminosa”, disse Funaro.

O irmão de Joesley, Wesley Batista, também afirmou em delação premiada ter pago propina para o ex-governador Silval Barbosa, em troca de concessão de crédito de ICMS. Também em delação, Silval confirmou o esquema.

Fernando Mendonça é um dos investigados na Operação Ararath, da Polícia Federal, que revelou um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo políticos e empresários do estado. Nas investigações, a Polícia Federal apurou que Mendonça foi o maior doador da campanha de Pedro Taques ao Senado em 2010.

Lucio Funaro é apontado como operador de propinas e desvios da Caixa Econômica Federal e fundos de pensão. Foi preso em 2016 na Operação Lava Jato, é um dos principais delatores do esquema, hoje cumpre regime semiaberto. No fim da sessão dessa quinta-feira, o doleiro não gravou entrevista.

Fernando Mendonça afirmou, por telefone, que tem certeza que Funaro não possui nenhuma prova contra ele e que sua única ligação com a JBS é a de parentesco. Mendonça afirmou ainda que nunca tratou de assuntos ilícitos da JBS com ninguém no estado e que abrirá uma ação milionária de danos morais contra Funaro, pelas mentiras e difamação envolvendo seu nome.

Fonte: G1