Em depoimento a Moro, Lula diz que Palocci mentiu à Justiça

Ex-presidente desmentiu a informação dada pelo ex-ministro durante interrogatório, segundo a qual o petista tinha um "pacto" com Odebrecht

| 13/09/2017 18:05:06
Ao ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro, ex-presidente Lula diz que Antonio Palocci mentiu em depoimento
Reprodução
Ao ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro, ex-presidente Lula diz que Antonio Palocci mentiu em depoimento

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (13), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que o ex-ministro Antonio Palocci mentiu ao dizer que o ex-presidente e a empresa Odebrecht tinham um “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht, que envolvia pagamento de propina na ordem de R$ 300 milhões.

O petista foi ouvido na Justiça Federal de Curitiba na ação penal que investiga um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a Odebrecht e a Petrobras, assinados entre 2004 e 2012. A acusação sustenta que teriam sido desviados R$ 75,4 milhões. Em contrapartida, o ex-presidente teria sido beneficiado com a compra de um terreno  para o Instituto Lula , em São Paulo, e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP), vizinho ao que ele reside atualmente. Somados, os dois imóveis chegam ao valor de R$ 12 milhões.

 “Eu vi o Palocci mentir aqui nesta semana”, disse o ex-presidente, reforçando a versão dada pela sua defesa após o depoimento do ex-ministro, no último dia 6. "O que ele [Palocci] disse é exatamente o que o PowerPoint queria que ele dissesse", acrescentou, referindo-se à apresentação feita pelo MPF (Ministério Público Federal) no ano passado. Na semana passada, os advogados do petista enviaram nota à imprensa na qual afirmaram que o depoimento de Palocci foi contraditório e que teve como objetivo viabilizar sua saída da prisão.

Palocci, que foi preso desde o ano passado e já foi condenado a 12 anos e dois meses de prisão, afirmou no depoimento que o “pacto de sangue” com a Odebrecht envolvia o terreno do instituto , o sítio usado pela família do ex-presidente em Atibaia e mais R$ 300 milhões, que estariam à disposição do petista para que ele fizesse as “atividades políticas”.

“Processo ilegítimo”

Logo no início do interrogatório, Sérgio Moro questionou o ex-presidente se ele optaria por permanecer calado, direito que é garantido aos réus pela legislação brasileira. O petista disse que não ficaria em silêncio, mesmo dizendo que, em sua opinião, “o processo é ilegítimo e injusto”. “Eu talvez seja a pessoa que mais queira a verdade neste processo”, acrescentou.

Em seguida, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, cobrou de Moro o acesso a documentos que estão em poder do MPF, como informações referentes a sistemas da Odebrecht. Segundo ele, o pedido é “para que o depoente possa realizar sua auto-defesa conhecendo tudo aquilo que a acusação dispõe”.

Questionado pelo juiz se pretendia fazer alguma retificação em relação ao depoimento prestado em maio, o petista negou. Pouco depois, fez uma ironia: “Se bem que eu deveria mudar tudo, porque o senhor me acusou. Precisaria fazer um novo depoimento.” O depoimento anterior é referente ao processo envolvendo o tríplex no Guarujá, ação em que Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão .

Veja os vídeos do depoimento do ex-presidente:

 


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