ENCONTRO LEITEIRO

Encontro leiteiro em Nossa Senhora do Livramento reúne 180 participantes

Jornalista Jonas Jozino | 12/11/2019 09:30:13

Projeto desenvolvido em parceria entre Sebrae e a prefeitura do município apresenta produtividade comparável à maior região produtora

O município de Nossa Senhora do Livramento (a 38 km de Cuiabá) vem se destacando na produção leiteira. 24 produtores participam ativamente do projeto Nosso Leite, desenvolvido pelo Sebrae em parceira com a prefeitura municipal e estão alcançando índices de produção bastante relevantes.

Alguns desses resultados foram apresentados durante o Encontro Nosso Leite, ocorrido no sábado, 09/11, na Praça de Eventos Fernando Barros, reunindo um público de cerca de 180 pessoas, entre produtores rurais, técnicos, gestores públicos e representantes de empresas de maquinário e insumos ligadas ao setor.

Ao abrir o encontro, o prefeito Silmar de Souza Gonçalves, disse que o projeto é um excelente investimento na produção leiteira e que representa muito para a economia do município, cuja população e majoritariamente rural – dos 13 mil habitantes, 8 mil vivem na zona rural.

Outro aspecto que levantou diz respeito ao êxodo de uma população do campo para as grandes cidades. “As pessoas vão sem capacitação nenhuma e têm dificuldades de arrumar emprego no grande centro. Com os bons resultados do leite, os filhos permanecem nas propriedades rurais e a gente vê muitas pessoas voltando para as fazendas e trabalhando com leite, agregando valor ao produto com queijo, doce, movimentando a economia do município e vivendo de forma digna”.

O gestor do Projeto de Pecuária do Sebrae MT, Aureliano da Cunha Pinheiro, se diz muito feliz com a evolução do projeto na região. “O papel nosso do Sebrae é transferir conhecimento. Conhecimento não se leva, se transfere. É preciso trabalhar as propriedades rurais como empresas e agregar valor à produção”.

Nesse sentido, o Sebrae está investindo na produção de um queijo tipo reblochon francês com consultoria do queijeiro uruguaio Mário Martinez. No dia anterior ao encontro, foram feitas duas oficinas com a participação de 32 pessoas. Mário explica que a escolha desse queijo foi feita porque é relativamente simples de produzir, porém com grande valor agregado. Ele chama atenção ainda para os cuidados sanitários exigidos no fabrico e disse que ao produzir um queijo mais elaborado, as pessoas passam a adotar os mesmos cuidados na fabricação de outros mais simples.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Nossa Senhora do Livramento, Airton Conceição de Arruda reforçou que os resultados positivos são um estímulo para que outros produtores rurais também participem do projeto Nosso Leite e que houve uma mudança de comportamento. “No passado, os produtores queriam área grande para produzir leite, hoje não, em cinco hectares, o produtor tira 300 litros de leite por dia”.

Sobre produção e produtividade, o técnico do projeto Nosso Leite em Mato Grosso, Fernando Bueno Quando a gente faz uma avaliação desde o início do projeto em 2013, percebe que a evolução é muito grande. “Basta ver este evento, organizado no centro da cidade, com essa quantidade de parceiros de toda a cadeia produtiva, insumos, laticínios, produtores, técnicos, instituições, todos se aproximando, é uma boa medida para comprovar que estamos no caminho certo”.

Em sua palestra, falou muito sobre mudança de cultura, novos conceitos, tecnologias e lembrou que nunca vai haver uma escala de produção se não houver uma boa base e que quem faz essa espécie de alicerce são as pessoas.

Fez questão de iniciar apresentando os três técnicos locais que trabalham diretamente com os produtores: Eliezeo Junior Rondon, Ademir Alves da Costa e José Carlos da Silva, o Zezinho.

Os 24 produtores que participam do projeto registram uma produção anual de 5,5 mil a 6 mil litros, o que dá uma média entre 200 e 300 litros/dia por produtor, sendo que os dados foram coletados no período seco do ano, quando a produção cair pela metade. A produção média do produtor mato-grossense é de 90 litros/dia.

“Este dado é muito interessante, o grupo tem faixa de produtores com ainda até 100 litros de leite, mas temos um grupo que já está acima de 500 litros. Por isso, a média de 200, 300 litros diários. Acho fantástico”, avaliou.

Um dos produtores é Valdemilson Pires. Ele participa do projeto Nosso Leite há dois anos e destaca o aumento na eficiência em qualidade do animal e, principalmente, do leite. Segundo ele, a produção aumentou cerca de 60% desde que iniciou no projeto e hoje é de 680 litros/dia. A produção é comercializada para o laticínio 3J, queindustrializa e transforma em queijo, requeijão, manteiga, coalhada e abastece Cuiabá e Várzea Grande.

Programação técnica

Além de Fernando Bueno, os engenheiros agrônomos Carlos Eduardo Freitas Carvalho e Marcelo de Rezende falaram sobre aspectos técnicos da produção leiteira.

Carlos, mais conhecido no meio como Ganso, fez a palestra “Novos Conceitos aplicados ao manejo intensivo de pastagens”, onde destacou dados importantíssimos sobre o que ele considera um dos temas mais complexos da pecuária, tanto de corte como leiteira.

Segundo ele, apenas 2% de todo o fertilizante comercializado no Brasil é destinado a pastagens e temos 160 milhões de hectares de forragens. A conclusão é que não se faz adubação de pastagens, o que impacta diretamente da produtividade da carne e do leite.

Já Marcelo de Rezende tratou de índices zootécnicos como ferramentas de gestão para a máxima eficiência econômica da atividade leiteira. Segundo ele, o principal índice a considerar é vacas em lactação por hectare.

Reforçou a necessidade e importância do hábito de fazer as anotações econômicas, zootécnicas e climáticas. “Criar um padrão com números que possam ser comparados é muito importante, as informações são ferramentas para decisões com os técnicos”.

O zootecnista Diogo Fleck explanou sobre a correta suplementação para a produção e reprodução de vacas, enquanto Henrique Zaporoli Marques fez a palestra “Inovação que vem das pessoas: fazenda lean”.

Na palestra “Mudando a vida produzindo leite”, Nivaldo Michethi contou um pouco de sua vasta experiência como produtor de leite em Paranaíta (a 839 km ao norte de Cuiabá), desde 2010.

Feira É de Livramento

Ao final da programação técnica, foi realizada mais uma edição da Feira É de Livramento, projeto que já está no seu terceiro ano, com enorme sucesso.

Segundo o secretário de Cultura e Turismo do município, José Eugênio de Almeida Maciel, mais de 50% do público que frequenta a feira vem de outros municípios. “Pessoas que vêm, consumem os nossos produtos e voltam, o que é muito importante. É uma oportunidade para o pequeno produtor divulgar sua produção e comercializar seus produtos”.

Ele adiantou ainda que o município está criando o Centro de Comercialização de produtos É de Livramento, que será um espaço permanente para comercialização desses produtos. “Estamos na fase de captação de recursos para reformar o espaço e nossa intenção e abrir até o aniversário da cidade, em maio do ano que vem”, finalizou.