Epidemia Columbine: pesquisadora alerta para recorrência de tragédias

Metrópoles | 14/03/2019 17:20:04

Roteiro do massacre ocorrido em escola norteamericana há quase 20 anos tem se repetido em várias partes do mundo, inclusive no Brasil

A pesquisadora da Universidade de Brasília, Tábata Gerk, afirma que o ataque que resultou em dez pessoas mortas – entre eles, os dois assassinos – na cidade de Suzano guarda muitas semelhanças com o massacre de Columbine, ocorrido nos Estados Unidos há quase 20 anos. E, em tom de alerta, avisa sobre uma “epidemia” mundial de eventos com estas características.

“O ataque em Suzano não é um fato isolado. Realengo também não foi. Nem as mortes de Goiânia. Precisamos aceitar isso para encararmos de frente o problema e criarmos estratégias para evitá-lo”, pontua.

De acordo com a psicóloga, que estuda o tema atentados em escolas há sete anos, é impossível apontar uma única causa para as ocorrências de violência em massa. “São ataques contra a instituição escola, mas, com absoluta certeza, o problema não está só ali”, afirma Tábata.

Antes de chegar a uma atitude extrema contra os outros e contra si mesmos, os jovens vivem situações de desequilíbrio emocional em outros campos. “Como é possível que o rapaz tenha publicado uma foto segurando uma arma e ninguém de seu círculo próximo não tenha reparado?”, questiona.

Os pontos coincidentes entre Columbine e Suzano são a preparação para o evento –  tanto em um caso como no outro o atentado foi planejado, a associação entre duas pessoas – a ideia sobre o crime e a intenção de cometê-lo foi compartilhada, e a decisão de acabar com a própria vida depois do fato – não se sabe se houve pacto de morte ou não, mas o adolescente Guilherme, de 17 anos, teria se matado depois de executar o parceiro do crime Luiz Henrique, 25 anos.

A publicidade em relação aos assassinatos seria outro semelhança: os assassinos de Columbine mantiveram um blog em que relatavam de maneira cifrada os preparativos e o adolescente de Suzano fez imagens prévias que foram postadas em redes sociais.

A pesquisadora sugere que pais, amigos e a comunidade escolar estejam atentos a mudanças de comportamento. “A conversa franca com adolescentes e jovens é fundamental para que possamos prevenir eventos violentos”, afirma.

Falta de interesse pela escola, tendências de isolamento e dificuldade de estabelecer amizades podem sugerir que o jovem está enfrentando algum problema de relacionamento. “São sinais que precisam ser observados e, em alguns casos, é necessária inclusive a intervenção de um profissional”, afirma Tábata Gerk.

Jornalista: Érica Montenegro