EM BAIXA

Fitch mantém Brasil abaixo do grau de investimento e reafirma perspectiva negativa

Agência cita crescimento fraco e 'repetidos episódios de instabilidade política'.

G1 | 19/05/2017 11:20:04

A agência de classificação de risco Fitch anunciou nesta sexta-feira (19) que decidiu manter a nota de crédito soberano do Brasil em "BB" - dois degraus abaixo do grau de investimento (selo de bom pagador). Ao mesmo tempo, reafirmou a perspectiva negativa para o rating do país.

Ao manter inalterada o rating do Brasil, a agência destacou o crescimento fraco da economia e "repetidos episódios de instabilidade política" como riscos.

"O rating do Brasil é contido pela fraqueza estrutural em suas finanças públicas, peso crescente da dívida do governo, perspectivas fracas de crescimento, indicadores mais fracos de governança em relação a outros, e repetidos episódios de instabilidade política que afetam a política e têm implicações negativas para a economia",apontou a Fitch em nota.

Por outro lado, a Fitch destaca que essas fraquezas são compensadas pela diversidade econômica do país e instituições civis consolidadas, citando ainda como motivo para reafirmar o rating a queda da inflação e as reformas que devem facilitar a consolidação fiscal, como a do teto dos gastos.

Incertezas

"A perspectiva negativa reflete incertezas continuadas em torno das perspectivas de recuperação econômica do Brasil, de estabilização da dívida pública e aos avanços na agenda legislativa, em especial a reforma da Previdência", acrescentou.

A Fitch prevê crescimento de 0,5% PIB do Brasil em 2017 e de 2,5% em 2018.

"Entretanto, recentes eventos políticos relacionados ao presidente Temer elevaram a incerteza em relação ao processo de reformas e podem afetar a confiança e as perspectivas de recuperação econômica", completou a agência.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer em consequência da denúncia de que Temer teria dado aval ao empresário Joesley Batista para manter pagamentos ao ex-deputado Eduardo Cunha em troca de silêncio sobre denúncias contra o governo.

Fitch segue S&P

A nota do Brasil e a perspectiva seguem a mesma na classificação da agência desde maio de 2016.

A Fitch repete movimento também feito pela agência Standard and Poor's (S&P), que em fevereiro também decidiu manter inalterada a nota do Brasil e a perspectiva negativa, citando incertezas políticas e fraqueza da economia.

Atualmente, a nota do Brasil está na mesma posição nas escalas das 3 principais agências de classificação de risco: dois degraus abaixo do grau de investimento, considerado uma espécie de selo de país bom pagador.

Na Moody´s, perspectiva foi elevada de negativa para estável em março. Em comunicado nesta sexta,, entretanto, a agência afirmou que "as alegações envolvendo o presidente Michel Temer prejudicam a perspectiva de crédito do Brasil ameaçando paralisar ou reverter o positivo momento político e econômico observado recentemente".

O Brasil conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s pela primeira vez em 2008. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody’s.

A S&P foi primeira a tirar o selo de bom pagador do Brasil, em setembro de 2015, ação que foi seguida pelas outras duas grandes agências internacionais: Fitch e Moody´s.

Segundo analistas de mercado, historicamente, países costumam levar cerca de 5 a 10 anos para recuperar o selo de país bom pagador.


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