O método sul-coreano de crescimento; e por que o Brasil deveria segui-lo

| 18/08/2017 11:05:05

Mesmo sendo no passado um dos países mais pobres do mundo, a Coreia do Sul se transformou e foi do inferno ao céu. Entenda o que ela fez para crescer, e como ela pode servir de exemplo para o Brasil

Se voltarmos no tempo para a década de sessenta (mesma decada em que se iniciava a ditadura militar no Brasil) e olharmos para a Coreia do Sul, nossos olhos irão se deparar com a pobreza sul-coreana.

E a pobreza era tão grande que, ainda em 1962, a Coreia do Sul tinha níveis de pobreza que superavam até mesmo os níveis de pobreza de países como Moçambique –  o mesmo país que, 2 anos depois, estaria entrando em sua guerra pela independência.

Mas o tempo tinha planos especiais para os sul-coreanos , e o que era um dos países mais pobres do mundo na década de sessenta se tornou hoje um dos países mais prósperos do mundo. Tanto que, no periodo de 1964 a 2014, a economia da Coreia do Sul cresceu em média 7% ao ano, tendo uma contração economica apenas em dois anos no mesmo período.

Como ela fez isso, e porque o Brasil deve se espelhar nisso, você confere a seguir:

Reformas Economicas

A Coreia do Sul, principalmente após o fim de sua guerra contra a Coreia do Norte em 1953, enfrentava problemas economicos sérios. O país era muito fechado economicamente, e não tinha nenhum parceiro comercial de peso.

Coreia do Sul acabou se tornando um ponto de investimento de peso destas nações
Divulgação
Coreia do Sul acabou se tornando um ponto de investimento de peso destas nações

A partir de 1962, esse problema foi sendo resolvido aos poucos com um mercado mais aberto e com grandes parceiros comerciais, com destaque para Estados Unidos e Japão. O interessante é que ela teve tanto sucesso em seus acordos com os EUA e o Japão, que acabou se tornando um ponto de investimento de peso destas nações. (acredite se quiser, mas em um dado momento, os investimentos americanos no país chegaram a representar 60% de todo o capital produtivo investido)

Mas o país é não só um ponto de investimento, mas um grande ponto comercial. Suas exportações e importações somadas davam, em 2015, o total de 995 bilhões de dólares. O grande beneficiado disso é também o seu grande parceiro atual, a China, que é o destino final de 25% de suas exportações.

No final, as grandes reformas economicas e a abertura comercial garantiram a prosperidade ao país, e o Brasil precisa seguir estes passos se quiser ter o mesmo sucesso.

De acordo com Thiago Nigro, criador do canal O Primo Rico e entusiasta do Código da Riqueza, o Brasil precisa aproveitar o comércio exterior: “O Brasil sofre com a falta de parceiros comerciais. Nosso país exporta muita commoditie, mas não tem grandes acordos comerciais, e os que tem são com países de pouca expressão no comercio mundial. Estamos fora da maioria dos acordos importantes, e ficar restringido só ao Mercosul nos prejudica demais. Se o Brasil quer ter sucesso num mundo tão globalizado, essa realidade precisa ser mudada”.

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A China, por exemplo, pode ser uma grande aliada nessa mudança. Basta o Brasil querer.

Priorizar a educação

Ainda após o fim da guerra contra a sua irmã, a Coreia do Sul enfrentava problemas sociais sérios. A educação, porém, não era um deles.

A grande realidade é que até mesmo antes da guerra, o alfabetismo da Coreia do Sul já era alto comparado aos padrões asiáticos, e isso, em partes, foi principalmente culpa da ocupação japonesa em terras sul-coreanas.

Padrão de boa educação se tornou uma tradição com as melhorias no relacionamento com o povo japonês
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Padrão de boa educação se tornou uma tradição com as melhorias no relacionamento com o povo japonês

Este padrão de boa educação se tornou uma tradição entre o povo, principalmente com as melhorias no relacionamento com o povo japonês. E a tradição educacional se tornou tão forte que o país erradicou o analfabestimo ainda em 1960, sem nem começar a sua guinada ao sucesso.

Tudo isso melhorou o capital humano do país, e sua educação voltada para a produtividade transformou seu povo em um povo produtivo, preocupado com a geração de valor e com o trabalho qualificado. Não é a toa que em 2015 o país tinha, em média, uma renda per capita anual de 34.6 mil dólares – mais que o dobro da média do Brasil, que no mesmo período estava em 15.4 mil dólares.

A regra é clara: capital humano é uma das fundações de uma nação desenvolvida. E o Brasil, de longe, não tem a qualidade necessária na melhoria da formação de sua população.

A educação no Brasil, assim como foi na Coreia do Sul, precisa ser prioridade. Será dessa forma que teremos pessoas mais produtivas e mais informadas, capazes de levar o Brasil para frente.

Investir em Tecnologia

Os dois passos anteriores da Coreia do Sul resultaram em um efeito positivo: tornaram o país em um país com grande potencial de criação de tecnologia.

E não demorou nada para eles abraçarem essa ideia. A Coreia do Sul foi o berço de marcas sucesso mundial como a Samsung, LG e Hyundai. Mais ainda: é uma grande exportadora de recursos tecnólogicos, tendo 12% de suas exportações advindas de circuitos integrados e 7.8% de carros.

A tecnologia e a industria prosperam no país, com uma liberdade para negócios
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A tecnologia e a industria prosperam no país, com uma liberdade para negócios

A tecnologia e a industria prosperam no país, com uma liberdade para negócios incrivelmente alta – que está entre as 10 melhores do mundo, segundo a fundação Heritage.

O Brasil consegue chegar nessa realidade, mas precisa caminhar muito ainda. A liberdade de negócios no Brasil é pifia, e a burocracia é tanta que restringe o sucesso de muitas empresas e pessoas com potencial.

O resultado é inevitável: mais da metade dos empreendimentos no Brasil enfrentam problemas financeiros, e os grandes talentos do país acabam migrando para países em que é mais fácil de se negociar. O Brasil perde aqui uma grande oportunidade, e, com certeza, melhorar seu ambiente de negócios, retirando toda a burocracia desnecessária, é uma medida que precisa ser feita.

Tornando a crise uma oportunidade

Estamos em um momento do nosso país que, assim como mencionado diversas vezes neste texto, a Coreia do Sul passou em seu passado.

Acontece que, assim como grandes investidores, a Coreia do Sul transformou a crise em uma oportunidade. Ela se aproveitou das várias crises do petróleo no mercado asiático e da necessidade de mudança no país, e fez todas as mudanças necessárias acontecer.

a Coreia do Sul transformou a crise em uma oportunidade. Chegou a hora do Brasil
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a Coreia do Sul transformou a crise em uma oportunidade. Chegou a hora do Brasil

Querendo ou não, é na instabilidade que as medidas necessárias precisam ser tomadas, e os sul-coreanos fizeram isso sem pensar duas vezes. Chegou a hora de mostrar que o Brasil também pode fazer isso. E temos todo o espaço possível.

Algumas mudanças são mais difíceis que as outras, é verdade. Mas não se faz nada enquanto não se arregaçar as mangas e ir a luta. Temos que avivar a nossa esperença, assim como a Coreia do Sul fez, e com isso é bem provável que também veremos o nosso país disparar com um crescimento arrebatador.

Para fazermos isso acontecer, a Coreia do Sul nos deu quatro excelentes tópicos: reforma econômica, educação, tecnologia e mindset para a mudança.

Foi o que ela fez. E que provou que é um sucesso.