Pai de criança com paralisia cerebral ganha ar-condicionado de PMs

Metrópoles | 11/01/2019 15:20:04

“Ele nos contou que o menino, quando soube, abriu um sorrisão”, contou um dos policiais

Uma boa ação não tem tamanho. Contudo, algumas parecem inspirar mais. Principalmente no dia a dia tão sofrido dos moradores do Rio de Janeiro. E foi inspiração que o ato de dois policiais militares cariocas trouxe no começo de 2019.

Diante da onda de calor em janeiro, que ultrapassa os 40 ºC, eles deram um ar condicionado para a família de um menino com paralisia cerebral. O sargento França Junior, de 47 anos, fazia uma ronda de rotina em São Gonçalo, na Região Metropolitana da cidade, quando entrou na loja de bijuterias que Marcos Viana trabalha.

“Ele me disse que não sabia como nós, policiais, estávamos aguentando todo aquele calor debaixo da nossa farda. Ele me disse que, para ele, esta é a pior estação do ano. A loja estava fresquinha, então eu sorri e questionei o motivo. Foi então que ele me contou que tinha um filho especial e que, nesta época do ano, ele não consegue dormir e fica se debatendo por conta da alta temperatura que faz, mesmo de noite”, contou o militar ao Extra.

 

Junior garante que, ao ouvir aquilo, teve certeza que conseguiria um ar condicionado para ajudar o garoto. Porém, hesitou ao pensar no aumento da conta de luz que eletrodomésticos como esse trazem. “Sei que uma pessoa que ganha pouco não tem condições para pagar o valor que vem a (conta de) luz quando se usa este aparelho. Mas fui para casa com isso na cabeça aquele dia. Depois, conversei com meu parceiro de guarnição, o Cabo W. Coutinho, e ele topou dividirmos um ar para o rapaz. Mas antes, deveríamos perguntar se ele conseguiria manter o presente”.

No dia seguinte, os dois estavam de volta à loja. Marcos, tocado pela ação de bondade, contou ter ganhado a casa da mãe e, com isso, não precisava pagar aluguel. Isso poderia ser revertido em um gasto maior em energia elétrica em prol do conforto de seu filho, Carlos André, de 12 anos.

“Ficamos muito felizes e, na hora, fomos comprar o ar-condicionado para ele! Ele nos contou que o menino, quando soube, abriu um sorrisão! A mãe e a avó do menino choraram e queriam nos conhecer. Só de saber que iremos amenizar o problema de um garoto com paralisia, que nem sequer sabe falar… A gente se esforça para isto. Eu conversei antes com a minha esposa. Nós temos nossos problemas, nossas dificuldades do dia-a-dia, mas, na hora de ajudar, não pensamos duas vezes”, completou o sargento.

Atos de bondade

Aline Vieira, 35 anos e mãe de Carlos André, não escondeu a surpresa. Estávamos sem condições de comprar um aparelho e o nosso filho não conseguia dormir, nossa casa é de telha, então fica muito quente! Eu fiquei muito emocionada. Foi um gesto muito bonito!”. O aparelho, claro, já está instalado e as noites do jovem estão bem melhores. “Hoje em dia é muito difícil alguém chegar e fazer uma doação como essa. Quando eles chegaram, eu estava comentando que não estava aguentando de calor. Fiquei sem acreditar. Já instalamos o ar-condicionado e, agora, o meu filho consegue dormir tranquilamente! Sou muito grata a estes policiais”, completou.

França Junior afirma que atos como esse não são isolados e, apesar de carregarem uma má fama, a PM se esforça para tentar ajudar todos aqueles que precisam. “Nós ficamos muito gratificados, porque, por incrível que pareça, isto está repercutindo positivamente. O que a pessoa espera do policial? Só notícia ruim. Então, quando aparece este tipo de coisa positiva, as pessoas reagem desta forma. Eu sempre gosto de ajudar. Para mim é algo muito especial”, completou.

Jornalista: Da Redação