Para Onyx, líderes que anunciaram recuo queriam “luz” da imprensa

Luciana Lima | 15/05/2019 17:35:10

Chefe da Casa Civil voltou a desmentir aliados que disseram ter presenciado ordem de Bolsonaro para suspender bloqueio de verba da educação

Igo Estrela/Metrópoles

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) desmentiu nesta quarta-feira (15/05/2019) os líderes governistas que disseram ter presenciado um telefonema do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ordenando um recuo no contingenciamento de recursos das universidades federais.

Para Onyx, esses líderes quiseram ganhar os holofotes da imprensa ao divulgar a informação, imediatamente desmentida pela Casa Civil.

“Como lhes servia politicamente [o anúncio], sustentam esta posição”, disse o ministro referindo-se ao líder do PSL, Delegado Waldir (GO); do Novo, Marcel Van Hattem (RS); do Podemos, José Nelto (GO); e do Cidadania, Daniel Coelho (PE), além do deputado Diego Garcia (Pode-PR), que estiveram com Bolsonaro na terça-feira (14/05/2019)

Também estavam presentes na reunião parlamentares de PV, PSC e Patriota. A reunião ocorreu às 18h, logo após a Câmara aprovar a convocação de Weintraub para explicar o contingenciamento de verbas das instituições federais de ensino. O ministro presta os esclarecimentos nesta tarde, no plenário da Câmara.

“Ninguém do governo falou e, quando o governo falou, manteve com clareza diante da sociedade o que é contingenciamento e o que são cortes”, destacou Lorenzoni, após acompanhar, na Câmara dos Deputados, a comissão geral com a presença do ministro da Educação.

“O governo, de maneira uniforme; o presidente, o nosso ministro da Economia [Paulo Guedes], o ministro da Educação, a própria Casa Civil e também o porta-voz [general Otávio do Rêgo Barros], nos manifestamos ontem de que o contingenciamento é o governo sendo prudente”, defendeu o responsável por afinar o diálogo da gestão Bolsonaro com os parlamentares.

Articulação A convocação de Weintraub expôs a falta de articulação do governo no Congresso, principalmente na Câmara. Onyx Lorenzoni, no entanto, evitou falar de uma possível troca do líder do governo, deputado Major Vitor Hugo (PSL), que marcou o encontro de Bolsonaro com as lideranças partidárias aliadas e do Centrão. Segundo o ministro da Casa Civil, essa é uma decisão que cabe somente ao presidente da República.

“Eu continuo dizendo que o governo trabalha incessantemente no diálogo, que o nosso time, que é o time verde e amarelo do Bolsonaro, abençoado por Deus, continuará na humildade, construindo caminhos. A nossa final é em junho. Lá na final a gente vai ganhar”, disse o ministro, arriscando uma previsão de aprovação da reforma da Previdência, prioridade do governo. O Planalto espera que o texto seja votado no próximo mês.

“O presidente determina o líder na Câmara, no Senado e no Congresso. É ele quem escala, é ele quem define”, ressaltou o ministro.

Desgaste O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO)também reagiu nesta quarta-feira às declarações de Onyx Lorenzoni e criticou a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), que também nega que a conversa tenha ocorrido. Nesta quarta, a parlamentar também colocou na conta do próprio partido a responsabilidade de o ministro da Educação ser convocado para se explicar no dia em que o governo enfrenta seu primeiro protesto nas ruas, contra o bloqueio de verbas na educação.

“A Casa Civil e a Joice (Hasselmann) estão desmentindo o presidente da República. Eu não sou mentiroso. Eu não sou cego, nem surdo, nem mudo. Eu vi o que o presidente falou. E é o que eu disse”, afirmou o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir.

“Tem uma verdade. Os líderes partidários foram em uma reunião, convidada pelo líder (do PSL, Major Vitor Hugo), com o presidente da República, convocado pelo líder do governo. Demos a sugestão para ele suspender o contingenciamento. Ele concordou com isso, pegou o telefone, mandou o ajudante de ordens ligar para o ministro [da Educação], falou com o ministro, o ministro não queria, e ele disse: ‘É ordem dada'”, detalhou Waldir.

Segundo o líder do partido do presidente da República, nenhum ministro participou da reunião. “Não tinha nenhum ministro na reunião. Se não houve comunicação, aí tem que perguntar para o ministro da Educação”, disse.

O líder do Novo, Marcel Van Hattem (RS), também relatou o episódio de forma semelhante: “Na nossa frente, o presidente ligou para o ministro, disse que era uma determinação de que não haveria mais contingenciamento e ponto. Então foi isso o que presenciamos”.

“Boato” Também presente à reunião, o deputado Capitão Wagner (PROS-CE) não escondeu que o desmentido do governo provocou mais desgaste.

“Quem criou o boato? Foi o governo, que voltou atrás e depois voltou atrás de novo. Recuou duas vezes. Espero que os demais parlamentares que estavam na reunião possam indagar o ministro da Educação se ele recebeu ligação telefônica do presidente”, disse, referindo-se a comissão geral com o ministro da Educação na Câmara. “Porque ou o ministro está mentindo, ou o presidente não ligou para ele. Será que o presidente forjou a ligação na nossa frente? Tenho certeza que não”, disse Capitão Wagner.

“Como aliado do governo, eu não vou admitir ser chamado ao Palácio do Planalto para tratar de uma questão séria como essa, presenciar o presidente da República pegar um celular, ligar para o ministro na presença de vários líderes partidários – estavam lá o líder do Pros, o líder do PV, o líder do Podemos, o líder do governo, o líder do PSL – e, com todas as letras, dizer: ‘a partir de agora, o corte está suspenso'”, destacou o parlamentar.

Confira imagens da comissão geral da Câmara com o ministro da Educação: 

Confira imagens dos protestos de estudantes, contra o contingenciamento, em Brasília: 

 

Veja imagens dos protestos pelo país: 

Jornalista: Luciana Lima