PF investiga conta na Espanha atribuída a José Dirceu

Metrópoles | 16/07/2018 21:20:02

Ex-ministro da Casa Civil durante o governo Lula teria sido beneficiado com propina da Petrobras por meio do ex-vice-presidente da Engevix

A Polícia Federal abriu novo inquérito para investigar o ex-ministro José Dirceu – que comandou a Casa Civil durante o governo Lula. A PF informou ao juiz Sérgio Moro sobre a apuração cujo objetivo  é mirar supostas propinas em benefício do petista, na Espanha, citada pelo ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada.

De acordo com o ofício, por ordem do delegado Christian Robert Wurster, foi instaurado o “inquérito nº 0752/2018-4 – SR/PF/PR para apurar possível ocorrência do delito” de lavagem de dinheiro, “além de todas as demais circunstâncias, porquanto Gérson de Mello Almada, teria pago valores decorrentes da Petrobras a José Dirceu, por intermédio de uma ‘conta corrente’ mantida com a Engevix e Milton Pascowitch”.

Os beneficiários da conta seriam o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu. O depoimento do empreiteiro foi anexado à denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sobre esquema de propinas de R$ 2,4 milhões das empreiteiras Engevix e UTC para Dirceu.

No mesmo depoimento, Gérson de Mello Almada confessou que firmou “contratos dissimulados” com a empresa de comunicação Entrelinhas com a finalidade de pagar propinas ao petista.

Segundo o empreiteiro, “o objeto dos contratos, anexados aos autos, nunca foi prestado à Engevix e que, mediante o fornecimento das notas fiscais pela Entrelinhas, a empreiteira pagou de 2011 a 2012, o valor de R$ 900 mil”.

Em dezembro, a Lava Jato pediu ao juiz federal Sérgio Moro que a Polícia Federal investigue as novas revelações do empreiteiro.

Em fevereiro, Moro abriu nova ação penal contra o ex-ministro por supostas propinas de R$ 2,4 milhões das empreiteiras Engevix e UTC. Foi nos autos desta ação que Almada citou a conta na Espanha.

O magistrado, no entanto, ponderou que todos os réus nesta ação já foram condenados na Lava Jato e decidiu suspender a ação por um ano. “Não vislumbro com facilidade interesse do MPF no prosseguimento de mais uma ação penal contra as mesmas pessoas, a fim de obter mais uma condenação”.

Dirceu foi condenado por Sérgio Moro em duas ações penais. A pena é de 32 anos e 1 mês de prisão – 20 anos e 10 meses em um processo e 11 anos e 3 meses em outro.

Outro ladoA reportagem entrou em contato com a defesa do ex-ministro José Dirceu, mas ainda não obteve retorno.

Jornalista: Agência Estado


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