MATANÇA

Polícia investiga morte de 24 cães em cidade de MT

Redação 24 Horas News / | 22/01/2019 16:04:12

PJC disponibiliza pontos de coletas de frascos em apoio a projeto de amparo a cães e gatos de rua

(Foto: Pixabay)

A Polícia Civil procura quem pode ter provocado a morte por envenenamento de pelo menos 20 cães em Alta Floresta. A cidade de 50 mil habitantes fica a quase 800 quilômetros da capital Cuiabá.

Apesar de apenas 4 boletins de ocorrência terem sido registrados até o momento, a delegada Ana Paula Reveles afirma que cerca de 20 animais mortos foram contabilizados este mês, a maioria em um único bairro.

Foi instaurado procedimento investigativo e algumas testemunhas foram ouvidas. A delegada relata o que foi apurado.

“O que chamou a atenção é que foram situações diversas. Não é o mesmo modo de agir. Os 15 primeiros animais mortos nesse mesmo bairro eram animais que estavam na rua; que teriam ingerido então uma carne supostamente envenenada. Outros animais foram mortos dentro de suas residências. Então alguém jogou a carne supostamente envenenada dentro dessas casas e os animais comeram e morreram em razão desse fato”

A carne supostamente envenenada foi apreendida e encaminhada para exame em Cuiabá.

Esta semana, outras pessoas vão ser ouvidas e haverá diligências para tentar identificar a autoria da ação criminosa.

Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, nativos ou domésticos é crime que pode ser punido com detenção de três meses a um ano, além de multa. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorrer morte do animal.

Projeto Lunaar

Com o objetivo de ajudar o Projeto Lunaar – Luta e União dos Amigos para Animais em Risco -, a Polícia Judiciária Civil disponibilizou pontos de coleta para arrecadação de frascos vazios de desodorante aerosol.  

O investigador da Polícia Civil, Adriano Real, que faz parte do projeto, é o responsável pela implantação das coletas na sede da Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil, onde trabalha. Os recipientes de coleta no prédio servem para atender tanto o público interno quanto externo que tiver interesse em ajudar o projeto.

“Quando fiquei sabendo que o projeto Lunaar estava precisando de ajuda, tive a ideia de arrecadar os frascos na instituição, pois era uma forma de conseguir dinheiro para o grupo, visto que também gosto de animais”, contou Adriano.

Segundo o policial, o material coletado é vendido para empresas de sucata que transformam os frascos em alumínio. “Eles pagam 4,50 reais por um quilo de alumínio, o que da aproximadamente 100 frascos de desodorante aerosol”, explicou. 

As arrecadações tiveram início em dezembro de 2017, dois meses após a criação do Projeto e até agora já foram coletados cerca de R$ 2 mil. Com o dinheiro, Projeto Lunaar efetuou a castração de 30 gatos que foram encaminhados para adoção, pagamento de dívida com o médico veterinário que cuida dos animais e compra de ração.

Hoje existem aproximadamente 70 pontos de coleta distribuídos em Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Barra do Bugres, São José dos Quatro Marcos e Lucas do Rio Verde. Os pontos estão instalados em academias, colégios, clínicas, na Assembléia Legislativa, entre outros locais, como órgãos públicos, empresas e pet-shop. Cada local possui o compromisso de recolher o material e destiná-lo ao Projeto Lunnar.

Projeto Lunaar

O Projeto LUNAAR – Luta e União de Amigos para Animais em Risco, nasceu em outubro de 2017 quando Tainá Marques, acadêmica de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), reuniu amigos, familiares e estudantes com intuído de amparar animais que vivem nas ruas.

Com pouco mais de 40 integrantes o Projeto Lunaar sobrevive de doações de seus participantes e o valor arrecadado é destinado à compra de ração para alimentar os animais. Mensalmente 150 quilos de ração são distribuídos para atender aproximadamente 800 gatos. Os animais são encaminhados à clínicas veterinárias para exames, internações, cirurgias e castrações, atividades que geram custos ao projeto que sobrevive sem nenhum apoio governamental. 



Ações realizadas pelo grupo (venda de camisetas, canecas, adesivos, bazar de roupas e sapatos) buscam arrecadar valores para quitar as dívidas contraídas junto a clínicas veterinárias. O montante arrecadado ameniza temporariamente os débitos, porém, está longe de proporcionar ao projeto estabilidade financeira.

Buscando alternativa financeiramente pontual e que aproximasse a preocupação ambiental do projeto à sociedade, o grupo optou por trabalhar com um material que fosse utilizado pelas pessoas e descartado posteriormente. Foram identificados inúmeros materiais que são descartados diariamente, porém, a maioria já era administrada por cooperativas de reciclagem.

Dentro do universo de descartes, os fracos vazios de desodorante em aerosolprodutos em alumínio que após seu uso tem o lixo como destino final é a fonte de renda que o projeto procurava, pois além ajudar financeiramente ainda preserva o meio ambiente.