Reforma só terá relator se Bolsonaro e Maia “fumarem cachimbo da paz”

Metrópoles | 25/03/2019 19:30:03

Declaração é do líder do PSL na Câmara, segundo o qual nem partido do presidente da República está convencido das mudanças na Previdência

A contar pelas palavras do líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), a rusga entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-GO), em torno da indefinição quanto à tramitação da reforma da Previdência está longe de terminar. E, com isso, o andamento da proposta no Congresso continuará suspenso.

Segundo Waldir, só será possível indicar o nome de um relator ao texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, passo inicial no processo de tramitação da emenda constitucional, quando Maia e Bolsonaro “fumarem o cachimbo da paz”.

“Não tem nada pacificado”, disse o parlamentar. “A gente espera que as duas pessoas fantásticas que são Rodrigo Maia e o presidente Bolsonaro soltem a fumacinha da paz e realmente passem a dialogar para que [o projeto] avance nessa Casa, no Parlamento, e para que o Brasil avance. Eles são os chefes dos poderes e precisam dar o exemplo”, afirmou o deputado.

Líder do partido de Bolsonaro, o parlamentar considerou que os ministros responsáveis pela articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso, Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Alberto Santos Cruz (Secretaria Geral), precisam começar a atender os parlamentares a fim de garantir os votos necessários à aprovação da reforma da Previdência.

“Existem pessoas que têm esse papel, recebem por isso e me parece que estão errando. Os resultados não estão chegando e o que nós temos visto é um grande blablablá na imprensa de cá e de lá”, reclamou o deputado.

Palmadas Segundo o líder do PSL, as postagens no Twitter com ataques ao presidente da Câmara são “equívocos repetidos” por quem faz as postagens nas redes sociais do presidente da República. “Eu acredito que são equívocos repetidos e eu estou alertando o governo disso”, afirmou.

O deputado ressaltou que se são ações dos filhos do presidente, isso merecia “umas palmadas”. “Eu não sei se é ele [o presidente]. As minhas postagens sou eu que faço”, comentou. “Se não for ele, essa pessoa deveria ter levado um puxão de orelha há muito tempo. Acha que vou deixar meu filho fazer isso? Algo pessoal meu? Se fosse meu filho, levaria umas palmadas”, declarou o Delegado Waldir.

Ele também considerou um grande equívoco o presidente da República tratar a articulação com os deputados como uma questão da “velha política”.

Posto Ipiranga Nesta terça-feira (26/3), o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentará os pontos da reforma na CCJ. No entanto, para o líder do PSL, isso não será suficiente para arrefecer os ânimos nem tirar todas as dúvidas sobre a proposta. “Não está na mão do Guedes, está nas mãos do Rodrigo Maia e do presidente da República. Os ministros não têm poder de decisão”, destacou.

Quanto à possibilidade de distribuição de cargos e de emendas para parlamentares em troca da aprovação do texto, Delegado Waldir afirma que isso não significa fazer o mesmo que os outros governos fizeram para aprovar medidas de seu interesse no Congresso. Para ele, trata-se de Bolsonaro “reconhecer a paternidade de reforma”. “Quer ter filho, mas não quer pagar pensão?”, questionou.

O deputado ainda comentou a possibilidade de Paulo Guedes deixar o governo caso a reforma da Previdência não passe, hipótese ventilada pelos corredores do Congresso Nacional. “Qualquer ministro que deixe o governo é grave. Mas ele foi trazido como uma peça indispensável: o Posto Ipiranga [do governo]. Se quebrar o Posto Ipiranga, vai ter que apelar para a Petrobras”, declarou o líder.

Jornalista: Luciana Lima