“Governo molha lenha na gasolina e joga na fogueira”, diz caminhoneiro

Da Redação | 20/04/2019 16:05:05

Categoria anuncia paralisação no próximo dia 29, já batizada de “Lorenzoni”, numa referência ao ministro da Casa Civil de Bolsonaro

Michael Melo/Metrópoles

Um dos líderes do movimento dos caminhoneiros que paralisou o país em 2018, Wanderlei Alvez, o Dedeco, não poupa críticas à forma como o governo Jair Bolsonaro (PSL) tem conduzido as negociações com a classe e aos anúncios de benefícios feitos na última semana, especialmente após o aumento no óleo diesel. São informações do Uol.

Foi seu grupo que convocou uma greve da categoria para o próximo dia 29. Eles se ressentem de não serem recebidos para as conversas que o Palácio do Planalto tem conduzido junto à “ala moderada” dos caminhoneiros, em oposição a eles, chamados de “radicais”. Mas Dedeco garante que, enquanto isso, ele tem recebido cada vez mais apoio para a paralisação batizada de “Lorenzoni”.

“Recebi ligações da cidade de um deles que tem ido lá conversar com o governo dizendo pra eu tocar o barco, que estão comigo. Os estados do Norte, do Nordeste também dizem que vão parar. O governo recebe a ala que eles chamam de moderada no Palácio do Planalto e o movimento que eu represento só cresce. Está molhando a lenha seca na gasolina e jogando na fogueira”, afirmou Dedeco.

Ele reconhece a dificuldade de unificar a categoria em torno de uma liderança. Mas tece críticas também às atuais vozes que têm se dito líderes da classe. “É tudo um jogo político. Eles vão lá para defender um interesse específico. Acho que um representante tem que defender toda a categoria. Não interessa se trabalha com tanque, baú, carga seca, cada um puxando o seu transporte”, disse.

Para ele, seria necessário que cada estado tivesse um comando, que falasse das demandas locais. “Mas sem entrar nessa coisa de cooperativa, de receber auxílio do governo. Porque ai vira um jogo de interesses. Você vai bater em Brasília para pedir favor. Não elegi ninguém para bater na porta e pedir favor, mas sim para exigir direitos”, desabafa.

O representante da classe conta que tinha conversas recorrentes com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na época em que ele deputado federal, mas garante que foi recentemente bloqueado no WhatsApp pelo ministro, após criticar as medidas anunciadas pelo Planalto. Procurado via assessoria de imprensa, o ministro preferiu não se pronunciar a respeito.

Em decorrência desse distanciamento, Dedeco decidiu batizar a paralisação do próximo dia 29 de “Lorenzoni”.

Linha de crédito Na última quarta (17/04/19), Onyx Lorezoni anunciou, em coletiva à imprensa, a abertura de uma linha de crédito no valor de R$ 500 milhões para caminhoneiros autônomos manterem seus veículos. A medida é parte dos acordos delineados com as lideranças com as quais o Planalto tem conversado.

Em seguida, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que serão empregados R$ 2 bilhões no término de obras e manutenção de rodovias.

“Esses R$ 30 mil que eles liberaram por caminhoneiro até que é uma boa medida. Mas veja bem… A maior parte da categoria está com o nome no Serasa. Vai ter condições de pegar o crédito? E pegar até alguns conseguem. Mas eu mesmo não ia conseguir pagar”, ponderou Dedeco.

“Obra em rodovia? Isso é obrigação do governo. Colocar isso em pacote de benefício pra dizer que conquistou um tapa buracos é um absurdo. Com R$ 2 bilhões não termina nem a duplicação da R$ 381, que é uma das mais perigosas do país”, completou.

Jornalista: Da Redação