COBRANDO MORO

Senador cobra de Moro ações contra o tráfico de drogas na fronteira de MT

Redação 24 Horas News | 12/06/2019 09:27:16

O mato-grossense lembrou que, atualmente, a Polícia Federal praticamente já não atua com ações de combate ao narcotráfico, e que a maior parte do trabalho de vigilância e repressão tem se restringido à Polícia Rodoviária Federal e, no Estado, à Polícia Militar através do Grupo Especial de Fronteira, o Gefron.

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) cobrou do ministro da Justiça, Sérgio Moro, ações efetivas no combate ao tráfico de drogas na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. Segundo ele, a atual situação da região tem gerado enormes problemas de falta de segurança e aumento da criminalidade no Estado. O encontro dos dois aconteceu durante almoço no Senado, promovido pelo Bloco Parlamentar Vanguarda, formado por senadores do Democratas, PSC e PL, e liderado por Fagundes.

 O mato-grossense lembrou que, atualmente, a Polícia Federal praticamente já não atua com ações de combate ao narcotráfico, e que a maior parte do trabalho de vigilância e repressão tem se restringido à Polícia Rodoviária Federal e, no Estado, à Polícia Militar através do Grupo Especial de Fronteira, o Gefron. Ele defendeu maior integração entre as forças policiais e maior participação também das Forças Armadas.

 "Na Copa do Mundo no Brasil, Cuiabá foi uma das sedes. Houve um trabalho grande de inteligência e vigilância com a integração das polícias e até o Exército. O resultado foi que não houve qualquer incidente. Esse é um exemplo, um modelo que precisa ser seguido" – exemplificou Fagundes.

 Na conversa, Moro disse que o Ministério está desenvolvendo projetos com essa finalidade, inclusive com um programa piloto em Foz do Iguaçu, no Paraná. Segundo o ministro, a ideia é integrar forças de segurança e inteligência, como a Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e agências de inteligência federais, para combater o crime organizado e o terrorismo na fronteira, a partir dessa experiência na 'tríplice fronteira'.

 Ministro e senadores também trataram da questão do Sistema Penitenciário, que se encontra sucateado e oferecendo graves riscos de segurança, tanto para servidores, como à própria população carcerária. Os problemas vão da insalubridade à superlotação. Moro reclamou da questão orçamentária disponível ao Ministério da Justiça para resolver a questão.

 Além de Fagundes, participaram do almoço os senadores Jayme Campos (DEM-MT), Marcos Rogério (DEM-RO), Zequinha Marinho (PSC-PA) e Jorginho Melo (PL-SC). Também esteve no almoço a senadora Selma Arruda (PSL-MT). O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do Democratas, também participou do encontro.

 Em quase duas horas, Moro também foi questionado pelos senadores sobre o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) ao Ministério da Justiça e a manutenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) no Ministério da Economia. Da mesma forma, ouviu queixas da falta de diálogo do Governo com o Congresso Nacional.

 INVASÃO DE TELEFONES – Sérgio Moro também se defendeu do conteúdo das mensagens trocadas com integrantes do Ministério Público Federal, principalmente com o chefe dos procuradores Deltan Dallagnol, na época em que foi juiz da Operação Lava-Jato. Ele colocou sob suspeita o teor das informações divulgadas pelo site "Intercept Brasil", e chegou a mencionar a possibilidade de hackers terem invadido os chats de conversa e se passado por ele.

 "Intercept" noticiou que o ex-magistrado teria orientado a ação do Ministério Público e cobrado novas fases da operação. O site informa que analisa a divulgação de outros trechos que poderiam comprometer a lisura da operação que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 "Tenho que ter fatos concretos e vou analisar de acordo com fatos concretos. Tudo que está sendo colocado está sob dúvida, inclusive pelo próprio ministro Sérgio Moro. Não podemos ter precipitação. Isso pode ser prejudicial ao país. Neste momento, mais do que nunca, precisamos de diálogo e moderação, até mesmo visando sobrepor esse momento de tensão que hoje está prejudicando o país" – disse o senador, ao se posicionar sobre o caso.