ESCÂNDALO MONSTRUOSO

Silval Barbosa diz que Carlos Bezerra recebeu R$ 1 milhão em propinas

Jornalista Jonas Jozino | 28/08/2017 11:26:41

Bezerra disse que as acusações de Silval são inverídicas e que serão desmentidas em Juízo.

O deputado federal Carlos Bezerra, presidente regional do PMDB, teria recebido R$ 1 milhão para intermediar uma negociação para a desapropriação de uma área no Bairro Renascer, em Cuiabá, segundo o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB). O nome do parlamentar aparece em vários trechos dos depoimentos prestados por Silval ao Ministério Público Federal (MPF), no acordo de delação que já foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


Bezerra disse que as acusações de Silval são inverídicas e que serão desmentidas em Juízo.


Metade dos R$ 32 milhões pagos pelo governo pela desapropriação, em 2014, retornou aos integrantes do esquema de corrupção existente no governo. O dinheiro, de acordo com o ex-governador, foi usado para pagar Bezerra pelo intermédio nas negociações com a empresa, que seria dona da área. O ex-secretário estadual de Comércio, Minas e Energia e da Casa Civil, Pedro Nadaf, também teria recebido uma parte por ter ajudado na desapropriação.


O restante do dinheiro obtido por meio dessa transação ilegal teria sido destinado aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que, conforme Silval Barbosa, ameaçavam paralisar obras voltadas para a Copa do Mundo, caso não recebessem propina. De acordo com o ex-governador, a quantia exigida pelos conselheiros foi de R$ 53 milhões.


Cerca de R$ 15 milhões obtidos por meio dessa desapropriação ilegal, teriam sido entregues aos conselheiros.


Por meio de assessoria, José Carlos Novelli negou ter interferido na comissão que acompanhou os projetos e alegou que "o TCE nunca emperrou obras da Copa". Sérgio Ricardo não se manifestou sobre a acusação.


Dinheiro para campanha


Em outro depoimento, Silval disse que, em 2010, perto da eleição, Carlos Bezerra, candidato à reeleição, o procurou para que fosse avalista de um empréstimo de R$ 4 milhões que ele faria com uma empresa do ramo de material de construção. Ele assim o fez e, no ano seguinte, a dona da empresa o procurou dizendo que Bezerra não tinha pago o empréstimo, do qual Silval era avalista.

Segundo Silval, Carlos Bezerra pediu que ele quitasse o empréstimo, pois havia muito obras em Mato Grosso e que seria fácil para o então governador quitar o empréstimo com a empresária.


Desse modo, Silval disse ter combinado com a empresária o pagamento da dívida em cinco parcelas de R$ 1 milhão. O então chefe de gabinete dele, Sílvio Cézar Corrêa, o ajudou no pagamento. O ex-governador afirmou que não sabia a origem do dinheiro, mas sabia tinha sido obtido por meio de propina.