SPC Brasil: 75% dos consumidores não pouparam dinheiro em agosto

| 20/09/2017 11:05:06

A falta de renda, diante de um cenário de desemprego, também influenciou os consumidores a não pouparem recursos, com 16% das respostas; entenda

SPC Brasil aponta a prevenção contra imprevistos uma das escolhas para se poupar dinheiro, com 36%iStock

SPC Brasil aponta a prevenção contra imprevistos uma das escolhas para se poupar dinheiro, com 36%

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram nesta quarta-feira (20) os resultados do Indicador de Reserva Financeira , que evidenciou que 75% dos consumidores brasileiros não conseguiram poupar dinheiro em agosto. O resultado mostrou um crescimento de 3,4 pontos percentuais frente ao mês anterior, com apenas 19% dos entrevistados tendo guardado parte de seus ganhos.

De acordo com o SPC Brasil , a baixa renda foi o principal motivo para não terem guardado dinheiro, com 48%. A falta de renda, em um cenário de desemprego também influenciou os brasileiros a não pouparem recursos, com 16%. Os imprevistos detiveram 14% das respostas, seguido pela dificuldade de controlar os gastos e a falta de disciplina, com 13%.

A pesquisa ainda apontou que nas classes A e B, a escolha por poupar a quantia foi maior, com 38%.  Já a quantidade de poupadores nas classes C, D e F foi menor aos da classe A e B, com 14%. Para a economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito, Marcela Kawauti, a crise econômica está entre as principais influências da não prática do hábito. “O descuido com relação aos gastos, contudo, deve ser visto com atenção”.

Hábito de poupar

Em relação ao hábito de poupar, e não mais da poupança no último mês, a sondagem apontou que 33% dos entrevistados costumam guardar dinheiro habitualmente, 6% reservam sempre o mesmo valor e 28% guardam o que sobra do orçamento.

A proteção contra imprevistos, com 36%, a realização de um sonho de consumo, com 25%, as viagens, com 24% e a reserva em caso de desemprego, com 24%, foram considerados os maiores propósitos daqueles que poupam dinheiro. Garantir um futuro melhor para a família e a aposentadoria também apareceram entre os motivos, com respectivamente, 23% e 11% das respostas.

Segundo Marcela, mesmo que não se reserve grandes somas, o hábito de guardar dinheiro pode ajudar o consumidor a não passar dos limites, mantendo-o controlado financeiramente.

“Se o consumidor for surpreendido por alguma situação que demande dinheiro, e não dispor da quantia poderá acabar tendo que recorrer a empréstimos e pagar juros que, em geral, são muito elevados. Além disso, é sempre muito inconveniente ter que buscar recursos numa hora ruim. Daí a importância de estar minimamente preparado para fazer frente a esses eventos”, explicou. 

Cerca de 51% dos brasileiros afirmaram ter precisado utilizar parte da reserva em julho, frente aos 45% que asseguraram o mesmo no mês de junho. Para 13%, a quantia foi destinada para o pagamento de contas de casa, seguido do pagamento de dívidas, com 11%. Enquanto 9% mencionaram as despesas extras e os imprevistos.

Essa última taxa reflete a importância da reserva financeira, sendo uma das finalidades proteger o consumidor em casos de imprevistos. Na falta desses recursos, teriam que recorrer ao crédito, em condições não vantajosas.

Destino das reservas

A apuração mostrou os consumidores com um perfil mais conservador quando o assunto é investimento. Para 61% deles, a tradicional Conta Poupança é o destino mais comum para a quantia reservada. Guardar dinheiro em casa também é uma das opções preferidas, com 19%.

Fundos de investimento, com 8%, Previdência Privada, com 6%, CDBs, com 5% e os papeis do Tesouro Direto, com 4%, fazem parte das escolhas costumeiras.  Entre aqueles que conseguiram guardar dinheiro em agosto, e que sabem o valor guardado, foram poupados aproximadamente R$ 525.

Os poupadores de recursos que preferem mantê-los em casa, evidenciaram a facilidade para dispor do dinheiro quando precisarem como a maior vantagem, com 43%.  Também se destacaram a percepção de que não vale a pena deixar pouco dinheiro em banco, com 31%, a desconfiança e a insegurança em relação às instituições financeiras e o medo de um novo confisco da poupança, ambas com 22%.

“É importante que o consumidor esteja sempre acompanhando seus investimentos, de forma a garantir que seus ganhos sejam os maiores possíveis. Assim, estudar novas opções e sempre avaliar as diferentes possibilidades de destino da poupança é uma forma inteligente de conseguir otimizar os rendimentos ”, concluiu o educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.