Suzano: 3º menor suspeito é liberado após depor por quase três horas

Metrópoles | 15/03/2019 13:20:07

Formalmente, a Polícia acusa Guilherme Vitor Grilo de Oliveira de instigação ao crime. O MP não acatou a acusação e liberou o adolescente

Enviado especial a Suzano (SP) – O terceiro adolescente supostamente envolvido no massacre do colégio Estadual Raul Brasil, em Suzano, prestou depoimento por cerca de 2h40 no Fórum da cidade e foi liberado pelo Ministério Público.

Formalmente, a Polícia Civil do estado de São Paulo acusa Guilherme Vitor Grilo de Oliveira, de 17 anos, de instigação ao crime. O MP não acatou a acusação da polícia e não apresentou denúncia. Dessa forma, os promotores, nesta sexta-feira (15/3), decidiram deixa-lo em liberdade. O órgão ainda não comentou o caso.

Guilherme chegou por volta da 10h40 no Fórum, onde prestou esclarecimentos até 13h20. Durante todo tempo, o menino ficou acompanhado da mãe. Ele deixou o Fórum pela porta das fundos acompanhado da mãe. Eles não deram declarações.

Inicialmente, a polícia civil pediu à Justiça que o menor ficasse apreendido por pelo menos 45 dias. Os investigadores acreditam que ele poderia apresentar riscos a apuração.

Na manhã desta sexta, policiais à paisana amanheceram na porta da casa onde mora o adolescente. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) expediu mandado de busca e apreensão na casa do menor.

Segundo as investigações do caso, o menor teria ajudado os atiradores Guilherme Taucci Medeiros, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, a planejar o ataque. A polícia informa ainda que, no dia do tiroteio, o adolescente não estava na escola palco do crime.

Veja fotos do enterro de Samuel, uma das vítimas: 

Veja fotos dos sepultamentos e velórios dessa quinta: 

Crime e polícia  Segundo as autoridades locais, a chegada da polícia na cena do massacre evitou que os criminosos matassem e ferissem mais gente (23 foram atendidos em hospitais da região). As investigações apontam que a dupla criminosa planejou o massacre durante um ano.

Imagens captadas por câmeras de segurança da rua onde fica a escola e da entrada da unidade de ensino mostram os criminosos chegando ao local e o ataque às vítimas. Após Guilherme Taucci Medeiros, de 17 anos, atirar contra alunos e funcionários, Luiz Henrique de Castro, 25, atingia com golpes de machado quem já estava no chão.

Quem eram  Os dois responsáveis pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), eram ex-alunos do colégio e usaram armas atípicas para atacar estudantes e funcionários. O crime aconteceu no horário do intervalo, por volta de 9h30, quando os estudantes estavam fora das salas. Dez pessoas morreram – incluindo os autores e o tio de um deles, que não estava no colégio – e ao menos 23 vítimas foram encaminhadas a hospitais.

Os criminosos foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25. O aniversário de Luiz Henrique seria no próximo dia 16, quando ele faria 26 anos. Já Monteiro atingiria a maioridade no dia 5 de julho.

O veículo que foi utilizado no massacre fora roubado da concessionária do tio de Guilherme, morto antes de os assassinos irem para o colégio. Tanto o comerciante quanto a dupla de executores foram sepultados nessa quinta, em cerimônias reservadas e acompanhadas por poucos familiares.

Veja imagens do massacre em Suzano:

RelatosSobreviventes contaram ao Metrópoles terem passado ao lado de corpos de amigos para escaparem da fúria dos criminosos. Um estudante chegou ao hospital mais próximo ainda com o machado usado por Luiz Henrique cravado no ombro. A notícia de que havia algo errado na escola, onde boa parte da população estudou ou tem ainda algum conhecido matriculado, se espalhou rapidamente. Desesperados familiares também correram para o colégio à procura de suas crianças.

Apelos pela pazAntes mesmo da divulgação de que outras pessoas possam estar envolvidas no crime, e ainda circulando pela cidade, o medo de novos ataques já dominava os moradores de Suzano. A comunidade tem se unido em oração – antes dos velórios e sepultamentos, participaram de missa e vigília em frente ao Colégio Estadual Rui Barbosa. Deixaram no muro flores, velas e mensagens em honra aos mortos e feridos na tragédia.

Velas foram acesas e flores, depositadas junto ao muro da Escola Professor Raul Brasil, em Suzano

Jornalista: Otávio Augusto