Vazamento: Deltan sondou se condenado pela Lava Jato poderia ser solto

Thaís Paranhos | 12/07/2019 10:10:07

Novos diálogos mostram que o procurador da República queria saber se o desembargador absolveria operador de propinas da Petrobras

Daniel Ferreira/Metrópoles

Em novas conversas divulgadas pela revista Veja em parceria com o site The Intercept Brasil, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol teria conversado com o desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julgaria casos da Lava Jato em Segunda Instância.

Na ocasião, os procuradores discutiam se fechariam acordo de delação premiada com o operador do esquema de pagamento de propinas na Petrobras Adir Assad. Enquanto isso, Gebran preparava voto para a apelação de um dos processos de Assad, condenado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro.

“Tenho dúvidas [da delação]. Tem que ver o que ele fala… pelo o que você disse, ele não falava nada. O Gebran tá fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad”, disse Dallagnol.

Em uma outra conversa, o procurador Carlos Augusto da Silva Cazarré teria informado aos procuradores que o processo estava prestes a ser julgado na segunda instância. Dallagnol, então, pediu a ele que sondasse se os desembargadores absolveriam Assad.

“Cazarré, tem como sondar se absolverão Assad? Parece que o Gebran tava tendendo a absolver… se for esse o caso, talvez fosse melhor pedir para adiar/agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação”, disse Deltan no chat Telegram.

O procurador Cazarré respondeu: “Olha, quando falei com ele, há uns dois meses, não achei que fisse [fosse] absolver… Acho difícil adiar”.

EntendaDesde o mês passado, o site The Intercept Brasil e veículos parceiros têm divulgado uma série de conversas vazadas que mostram uma suposta colaboração entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Lava Jato em Curitiba. Nos diálogos, Moro teria criticado e orientado a atuação dos integrantes da força-tarefa e reclamado de delações que poderiam ser fechadas.

Até agora, o ministro tem negado que as conversas mostrem qualquer tipo de irregularidade e diz que não é possível garantir a autenticidade e veracidade dos diálogos.

Jornalista: Thaís Paranhos